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“Nosso Sonho”, filme sobre Claudinho e Buchecha, conquista maior bilheteria de 2023
Longa ultrapassou marca de 430 mil espectadores
Filme de Claudinho e Buchecha, Nosso Sonho é maior bilheteria nacional de 2023Divulgação
O filme “Nosso Sonho”, que conta a história da dupla Claudinho e Buchecha, se tornou a maior bilheteria nacional de 2023. Chegando na sexta semana de exibição, o longa alcança a marca dos 430 mil espectadores desde a sua estreia, em 21 de setembro.
O longa conta com Juan Paiva como Buchecha e Lucas Penteado como Claudinho. No elenco, também se destacam Tatiana Tiburcio e Nando Cunha, que interpretam Dona Etelma e Souza, os pais do Buchecha; Lellê e Clara Moneke são Rosana e Vanessa, as namoradas dos músicos. Vinicius Boca de 09 e Gustavo Coelho interpretam Claudinho e Buchecha na infância, respectivamente.
“Nosso Sonho” conta, ainda, com participações especiais de Antonio Pitanga, como Seu Américo, Isabela Garcia, como Dona Judite, Negão da BL como DJ do baile, e FP do Trem Bala e Gabriel do Borel, como a dupla Cidinha e Doca e Flávia Souza e Reinaldo Júnior.
“Batalhamos muito para que “Nosso Sonho” fosse este sucesso nas telonas. A parceria com a produção do filme se deu desde o desenvolvimento do projeto. A luta em conjunto seguiu até a exibição para conseguirmos um circuito grande e levar este filme incrível a mais de 430 mil pessoas em todo o Brasil”, diz Felipe Lopes, sócio-diretor da Manequim Filmes.
Créditos: Matéria Barbara Carvalho - CNN POP
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História de Claudinho e Buchecha vira filme, 20 anos depois de acidente: 'Um sonho se concretizando'
Os versos “nossa história vai virar cinema/ e a gente vai passar em Hollywood”, da canção “Coisa de cinema”, de Claudinho e Buchecha, estão perto de se tornar realidade. Na semana passada, em um dia de filmagem na Ilha do Governador, bairro carioca onde a dupla viveu após despontar para o sucesso em São Gonçalo, Lucas Penteado e Juan Paiva, que interpretam Claudinho e Buchecha respectivamente, estavam rodando mais uma cena de “Nosso sonho”.
A cinebiografia sobre a dupla que veio do funk e fez história no pop nacional é dirigida por Eduardo Albergaria e tem previsão de lançamento nos cinemas para 2023, com distribuição da Manequim Filmes. Um dos biografados, o cantor Buchecha marcou presença no set e se emocionou com o trecho filmado no dia: seu casamento com Rosana Souza, com quem começou a namorar quando tinha 15 anos e com quem está até hoje.
Aos 47 anos, Buchecha lembra que ficou sensibilizado ao assistir a “2 filhos de Francisco — A história de Zezé di Camargo e Luciano” (2005), de Breno Silveira, quando, em fase inicial na carreira solo, três anos após a morte de Claudinho, identificou-se com a história de percalços até o sucesso.
— Lá no fundo, ficou passando pela minha cabeça: “Será que um dia vai aparecer alguém que vai nos olhar com carinho e ter o interesse de contar a nossa história?” — diz o cantor. — Agora, estou vendo um sonho se concretizando. Como dizem na comunidade, estou embasbacado. E bem na fita, colocaram um ator muito bonito pra me representar.
O projeto vai contar essa história de música e amizade, passando pela trágica morte de Claudinho, num acidente de carro há 20 anos (mais exatamente, em 13 de julho de 2002), e pelo período de depressão de Buchecha, até reunir forças para investir numa carreira solo. Albergaria, que também assina o roteiro ao lado de Fernando Velasco, Daniel Dias e Mauricio Lissovsky, diz que não vai ignorar os momentos mais dramáticos vividos pelos músicos, mas descreve seu filme como “um convite à alegria”.
— É uma história de sucesso de dois meninos que saem de São Gonçalo para ganhar o mundo e chegar até o Japão, de jovens que tiveram suas vidas transformadas pela arte, pelo funk, pela cultura e pela amizade — diz Albergaria. — Estamos contando a história que as pessoas esperam, mas também entregando um pouco mais. É um encontro com as músicas e um encontro com o sentimento daquela época.
O sonho de Buchecha de ter a trajetória de sua dupla contada no cinema começou a se tornar realidade há sete anos. A ideia para o filme partiu do roteirista Fernando Velasco, na produtora Urca Filmes. Na ocasião, Albergaria considerou a iniciativa interessante, mas achou que já haveria outras produtoras de olho. Quando descobriu que ninguém estava desenvolvendo um projeto sobre a dupla, resolveu ligar para o artista. Após uma reunião na casa de Buchecha, o diretor viu que tinha uma grande história nas mãos.
Herói do funk
Conhecido pelo trabalho como Ravi na novela “Um lugar ao sol”, Juan Paiva, de 24 anos, conta como foi o processo de encontrar seu Buchecha.
— É uma grande responsabilidade, porque é uma vida que existe, é diferente de você criar um personagem. Eu tento prestar atenção nos detalhes. Vi muitas entrevistas, vídeos dele dançando, e, nas oportunidades que tive de encontrá-lo, fiquei observando a forma como fala, como se comporta — descreve Juan. — O Buchecha é um grande herói do funk, tem uma história linda. Espero que ele se veja em mim e veja o Claudinho no Lucas (Penteado).
Conhecido pela conturbada passagem pelo “BBB 21”, Lucas Penteado, de 25 anos, tinha apenas 5 quando Claudinho morreu, mas tem lembranças da dupla que movimentou o Brasil nos anos 1990. Ele se recorda de uma ocasião em que foi chamado a atenção na escola por usar boné na sala de aula. Um dia, ao se deparar com uma entrevista de Claudinho e Buchecha na TV, fez questão de mostrar ao pai que os dois estavam de boné.
— Eu falei para o meu pai que era estilo. A minha identidade começou vendo Claudinho e Buchecha na TV. Eles sempre foram uma referência para mim — conta Lucas, que também viu e ouviu muito material de arquivo com Claudinho. — Foi um processo de descoberta, tentar entender como ele fala, anda, olha. Eu sou meio nerd, então tentei entender como era essa língua presa que ele tinha, dificuldades com o “C” e o “S”, mas falava bem o “R”.
Além de atuarem no filme, Lucas e Juan também cantam, sem auxílio de playback, as músicas mais famosas da dupla responsável por hits como “Quero te encontrar”, “Fico assim sem você” e “Só love”. Os dois, inclusive, já tiveram oportunidade de se apresentar cantando Claudinho e Buchecha, ainda que informalmente. Durante um intervalo das gravações, Juan levou Lucas para conhecer a favela do Vidigal, onde mora. Lá, os atores acabaram em cima de um palco de bar apresentando os maiores hits da dupla.
20 anos de saudade
Consultor e produtor musical do longa, Buchecha fez um trabalho específico com os atores na parte sonora. O cantor conta que, inicialmente, ficou preocupado com o sotaque paulista de Lucas e com o fato de Juan ter uma ligação maior com o rap do que com o funk, mas faz questão de reforçar que os dois se saíram muito bem no desafio e que acredita que o público pode até confundir as vozes dos atores com as originais.
Perguntado se iria fazer uma participação em cena no filme, Buchecha diz que não, pois é um ator muito ruim. O produtor Leonardo Edde, no entanto, brinca:
— Ele vai fazer uma participação, só não sabe ainda.
Feliz em ter sua história contada nos cinemas, Buchecha não reclama de ser muito acionado pelo produtor, mas conta que o foco no filme tem dificultado outros projetos. Ele tem realizado shows e ajudado a gerir as carreiras dos filhos Ceejay, cantor, e Giulie Oliveira, atriz. Por causa de todos esses compromissos, não sabe se irá conseguir concluir o DVD que tinha previsto para 2022, ano em que a morte de Claudinho completa duas décadas.
— A perda brusca de um grande amigo de infância foi um marco muito doloroso para mim e tem sido ainda hoje muito difícil de lidar. Tudo me faz lembrar dele. As nossas músicas, os locais onde fizemos shows ou tivemos alguma história marcante. Estamos completando 20 anos de saudade, e parece realmente que foi ontem. Mas precisamos seguir a vida — diz o cantor, emocionado.
“Nosso sonho” é o primeiro filme a contar a história de Claudinho e Buchecha. Em 2009, a vida de Claudinho foi tema do especial “Por toda minha vida”, da TV Globo. O programa mesclou imagens de arquivo, depoimentos e cenas dramatizadas com os atores Alex Gomes como Claudinho e Adriano de Jesus como Buchecha.
Créditos: Matéria - Lucas Salgado / Fotos: Angelica Goudinho e João Atala - Jornal Extra
"Este texto não reflete, necessariamente, a nossa opinião. Se você e/ou sua empresa possui os direitos de alguma imagem/reportagem e não quer que ela apareça no Funk de Raiz, por favor entrar em contato. Serão prontamente removidas".
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Canções românticas desaparecem das paradas de sucessos da música brasileira. Será que o amor saiu de moda?
"Quem não viveu um grande amor ainda vai viver e vai se identificar com alguma música dessas. É por isso que elas duram tanto tempo. São como os grandes amores, que não acabam. As pessoas estão carentes de novas músicas românticas. Quando vão procurar uma playlist, vão logo em quê? No Melim, no Luan Santana, no Lulu...Porque sabem que eles cantam o amor e cantam bem, né?" MC Marcinho
Se quiser falar de amor?
"Fale com o Marcinho. Ou então chama pro feat!"Um cara que entende de hits de amor "não-perecíveis" é MC Marcinho. Quem atualiza o bordão clássico do funk é o próprio cantor. A frase surgiu no hit "Glamurosa", lançado em 2002. Naquela época, com 25 anos, ele já era chamado de "Príncipe do Funk".
"Eu já vinha de muitas músicas românticas estouradas e pensei: 'Pô, eu sou um especialista no assunto, né?' Então, se quiser falar de amor, é só falar comigo!"Quase 20 anos depois, Marcinho segue firme no estilo romântico, agora apostando em novos sons, como mistura do funk com o trap e com o reggaeton. MC Marcinho não acha que o amor, como tema de música, tenha saído de moda. Na opinião dele, a "molecada" —do funk, principalmente— é mais ousada, mas não deixa de falar de amor quando, por exemplo, canta sobre sexo.
"As letras ficaram um pouco mais pesadas, né?", comenta Marcinho. "Aquela essência do amor puro, de chamar de 'meu docinho, minha gatinha', não tem mais. Hoje é 'potranca', 'popozuda', 'vou te pegar daqui e dali'. Acho que às vezes passa um pouco do ponto."
O rótulo
"A ideia do cantor romântico é que ela é muito redutora e tem uma conotação de preconceito. Mas eu também sou um cantor e um compositor que canta sobre o amor e fico feliz de ser lembrado assim."Mas há também quem tire proveito do tal rótulo de cantor romântico. MC Marcinho conta que, para ele, o carimbo acabou servindo como uma arma para lutar contra o preconceito.
"Ajudou mais do que atrapalhou. O fato de eu ser um MC romântico abriu muitas portas para mim. Fiz show em praças em que o funk não entrava, porque o preconceito era grande. Como eu falava de amor, sofri menos que meus parceiros." MC Marcinho
"A gente pode pensar no cantor romântico —ou em todos esses que levam rótulos— como um personagem feito para ser consumido. A questão é o sujeito gostar ou não de ser consumido dessa forma. O nosso desejo de consumo é aquele e, de repente, ele 'trai a sua confiança' fazendo algo diferente."
Sinal dos tempos?
É difícil para caramba. Mas, para sair da dor, somente com amor. Eu sou da tese de que devemos sempre amar e essa pandemia me ensinou a amar ainda mais.No campo da sociologia e da filosofia, Márcio Tavares D'Amaral destaca o "papel fundamental" que as músicas de amor —e quem as canta— têm na nossa cultura.
"É uma tarefa de resgate dos valores de uma civilização que sempre se quis amorosa, relacionada com o outro. Da ideia de que existe o outro e eu preciso dele. É importante que se cante sobre essa essência da relação amorosa, porque se todo mundo silenciar, vence o ódio, vencem as polarizações e o desamor."
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Semanalmente, 3 milhões de jovens e adultos se divertem ao som do chamado "pancadão", num dos cerca de 879 bailes funk que acontecem todo mês em favelas, clubes e boates em todo o estado do Rio de Janeiro. Dados de uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostram que, a cada mês, o ritmo movimenta cerca de R$ 10 milhões, somente no estado, e gera cerca de 10 mil empregos. Mas apesar de sua inegável importância, como opção de lazer, para tantos jovens e de seu poderio econômico, o ritmo, que invadiu as favelas e subúrbios da cidade do Rio nos anos de 1970, ainda é visto de forma preconceituosa por muitos. Críticas que o tacham como música de má qualidade, "bate-estaca", e o associam à violência das favelas e da periferia pretendem diminuir sua importância. Para resgatar um pouco da trajetória desse som que chegou à Zona Sul da cidade, ganhou o estado e até o exterior como "música eletrônica brasileira", a doutora em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Adriana Carvalho Lopes, professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), escreveu o livro Funk-se quem quiser – no batidão negro da cidade carioca. Editado com apoio do programa de Auxílo à Editoração (APQ 3), da FAPERJ, o trabalho é resultado de sua tese de doutorado, defendida em 2010. Adriana utiliza bastante o funk em suas aulas na universidade.
"Inclusive um dos trabalhos do meu curso é a criação de um funk", destaca. Ela lamenta que os professores ainda tenham preconceito em fazer a mesma coisa. "O funk hoje é a linguagem entendida pelos jovens e os professores têm que estar atentos a este fato", completa.
O livro apresenta duas diferenças significativas em relação a outros estudos e publicações sobre o gênero. A primeira é que, em vez de ser escrito por antropólogos, sociólogos ou mesmo jornalistas, o livro é de uma especialista em Linguística.
"Procurei entender o fenômeno do ponto de vista do discurso daqueles que o fazem, dando-lhes voz não apenas como objeto de estudo, mas como colaboradores do livro", explica Adriana, carinhosamente apelidada de Drica pelo pessoal do funk.
Outra diferença é que, além de estudo acadêmico, o livro é também um relato de alguém que se comprometeu com a causa. Com a antropóloga e professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), sua xará Adriana Facina, Adriana Lopes ajudou os funkeiros na criação da Associação dos Profissionais e Amigos do Funk (Apafunk), nascida em junho de 2008.
Devido ao seu envolvimento com o ritmo, o prefácio do livro foi escrito pelo presidente da associação, MC Leonardo.
"Na Rocinha, onde nasci e me criei, sempre ouvia amigos reclamando que eu ficaria andando com universitários que iam me encher de perguntas, terminar o trabalho e sumir no mapa, sem nem ao menos dizer o motivo da entrevista", afirma o MC.
"Em 2008, cansado de dizer que a gente tinha que brigar com um mercado monopolizado por duas equipes de som (Furacão 2000 e Big Mix), que nos escravizava e um governo que nos criminalizava, encontrei duas acadêmicas engajadas, duas Adrianas", complementa.
Mortes em acidentes de trânsito são comuns entre artistas do funk
A ideia da publicação nasceu quando a pesquisadora cursava o doutorado, em 2007, e resolveu estudar a cultura e a linguagem da juventude da periferia carioca. Inicialmente pensou em focar no hip-hop, mas logo viu que o estilo tinha pouca força no estado.
"O funk era e continua sendo a linguagem forte que afeta a juventude", afirma a professora da UFRRJ.
Vinda de um período de doutorado-sanduíche no exterior e de um período em São Paulo, seu primeiro contato com uma favela fluminense foi com a Maré. Durante o trabalho de campo, visitou a Rocinha, onde conheceu, numa extinta TV comunitária local, o programa A Hora do funk, em que funkeiros mais antigos, sem espaço na mídia – monopolizada pelas equipes Furacão 2000 e Big Mix – se apresentavam.
"Ali conheci MC Leonardo, Adriana Facina e a criadora do blog Funk de Raiz, Cláudia Duarcha", recorda.
No decorrer do trabalho, ela visitou bailes em comunidades, viajou de van de uma ponta a outra da cidade com os grupos, no circuito que engloba Baixada Fluminense, Zona Norte, Zona Sul e Zona Oeste, nos chamados bondes do funk.
"É interessante observar como os funkeiros conhecem bem mais o Rio que os moradores da Zona Sul", afirma Drica.
Segundo a pesquisadora, os artistas costumam fazer três, ou mesmo quatro apresentações numa mesma noite, em diferentes pontos da cidade, o que faz com que o número de acidentes de carros seja grande.
"Aconteceu, por exemplo, com os rapazes do Bonde dos Magrinhos, que viajaram muito comigo e me apresentaram um Rio diferente do que se conhece nos cartões-postais, muito mais caloroso e interessante. Eles se envolveram num acidente que matou o líder, decretando o fim do grupo", lamenta.
Dividido em quatro capítulos, a primeira parte do livro relaciona o funk carioca a um sincretismo negro, que une culturas originárias da África com a identidade cultural de cada um dos países para onde os negros vieram como escravos, a exemplo de religiões afrobrasileiras, como umbanda, que mistura elementos do candomblé africano com o catolicismo. A base do funk é o miami bass, ritmo dos negros americanos, que nos anos 1970 começou a tocar nos bailes dos subúrbios cariocas, e em São Paulo deu origem ao hip-hop. No Caribe, gerou o reaggaetown e em Angola foi base para o kuduro.
"O ritmo angolano hoje contribui para renovar o funk carioca. Em minha pesquisa, observei que, desde 2007, jovens da favela de Acari assistiam, em lan houses, a vídeos do ritmo africano no You Tube", recorda.
O segundo capítulo do livro fala sobre a identidade do funk e a marginalização de seus seguidores, enquanto o terceiro apresenta os bastidores, os bailes, e conta a história da criação da Apafunk. Já o quarto, o capítulo final, mapeia os diferentes subgêneros existentes nesse universo, destacando, em entrevistas, alguns de seus personagens, como Tati Quebra-Barraco e a extinta dupla MC Serginho e Lacraia, morto no ano passado por problemas de saúde, aos 33 anos de idade.
"No documentário Sou feia, mas tô na moda, o DJ Marlboro afirma que Tati seria uma nova espécie de feminista ao abordar o sexo e tirar da mulher o papel subserviente, argumento de que discordo porque a pornografia ganha cada vez um mercado mais amplo, e este é o tipo de funk mais vendido hoje ao grande público", destaca Drica.
"Já a dupla MC Serginho e Lacraia utilizava cantigas de roda infantis para seus funks com letras de duplo sentido, como a célebre Eguinha Pocotó", completa.
Em sua opinião, uma música em si não é necessariamente violenta ou pornográfica, uma vez que elas nada mais são do que reflexos da sociedade.
"Músicas de forró, dos nomes da chamada MPB, do samba, do pagode e de diversos outros ritmos também podem ser muito pornográficos, como a Na boquinha da garrafa, do extinto grupo É o tchan. Por que só o funk é visto como pornográfico?", pergunta.
Para Drica, a dupla MC Serginho e Lacraia, um negro, homossexual assumido que se travestia, era bem mais subversiva do que as mulheres da indústria do funk, sempre colocadas no papel de objeto sexual e subservientes aos homens.
"Num show da dupla, em uma boate carioca, Lacraia dançava de forma sensual, dizendo que era a Luana Piovanni", recorda. Enquanto a maioria dos entrevistados preferia que conversássemos em sua casa, a dupla fez questão de ir até o quiosque gay Rainbow, em frente ao Hotel Copacabana Palace.
"Foi muito difícil fazer a entrevista, pois a todo tempo havia pedidos de autógrafos para os dois. Até policiais foram lá pedir para os filhos", completa.
Durante o projeto, Drica passou a entender a exploração comercial da indústria funkeira.
"Enquanto a cessão de exploração comercial na música pelas gravadoras é de 10 anos, no caso do funk, ela é vitalícia, uma exploração enorme do talento do artista", destaca a autora do livro. Além de resgatar a história do ritmo, dando espaço a funkeiros que estavam longe da grande mídia, a Apafunk criou as chamadas de rodas de funk – espaços de discussão em que militantes de esquerda e de movimentos sociais debatiam com os protagonistas do ritmo.
"Este espaço servia para acabar com o preconceito contra os funkeiros, que eram malvistos pelo pessoal do hip-hop e também pela esquerda. Por outro lado, os personagens do funk também não simpatizavam com a esquerda", recorda.
Mas ao conhecer e debater com militantes do Movimento dos Sem-Terra (MST), os funkeiros descobriram que as reivindicações eram bastante parecidas. Como resultado desse processo, houve a criação, no mandato do deputado estadual Marcelo Freixo, da Lei do funk (setembro/2008).
Grávida de seu segundo filho, Drica deverá continuar a se dedicar aos seus estudos sobre o ritmo após o fim da licença maternidade.
"Quero estudar o funk como forma de letramento dos jovens", destaca. E promete: "Como tantas outras crianças, meus dois filhos dançarão ao som do funk..."
Créditos: Vinicius Zepeda/2012 - FAPERJ
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Cada manifestação cultural reflete seu tempo e deve ser analisada sob o contexto em que foi criada
A Folha tinha um programa dominical na TV Cultura e aquela entrevista era nossa principal aposta para a edição.
O que deixou muitos espectadores indignados foi um trecho em que a repórter Anna Virginia Balloussier apresentou o funkeiro Mr. Catra aos menos familiarizados com o estilo, dizendo que ele era uma espécie de João Gilberto do funk.
No vídeo, Catra falava sobre sua incursão no universo da música sertaneja, o que confundiu ainda mais o ambiente, bem do jeito que ele gostava.
Comparar Mr. Catra ao João Gilberto não foi uma heresia. Arte é uma questão de perspectiva. Aquele arrepio na espinha que alguém que nasce e cresce na quebrada sente quando ouve tocar o primeiro grave do batidão não é em nada diferente do que outros podem sentir ao perceber os primeiros acordes de “Chega de Saudade” saindo do violão de João.
Cada um sente a arte a partir das experiências que tem, e provocar esse tipo de sensação requer do artista uma sofisticação gigantesca que às vezes pode se resumir a uma batida aparentemente simples, mas que na verdade vai muito além. O “simples” nem deveria se chamar assim, de tão complexo que pode ser. Não era isso, afinal, que também diziam da Bossa Nova?
Cada manifestação cultural reflete seu tempo e deve ser analisada sob o contexto em que foi criada, portanto é injusto compará-las. Funk e Bossa Nova são incrivelmente ricos e geniais em suas propostas, dois estilos que convivem pacificamente entre os mais tocados da minha playlist, mas é inegável que, apesar de totalmente opostos musicalmente, trilham um caminho parecido.
Na última semana, Anitta lançou o clipe "Girl From Rio" em que conversa com a Bossa Nova através de um sample de Garota de Ipanema, de Tom e Vinícius, em uma faixa com o produtor vocal Kuk Harrell, que também trabalha com Rihanna e Beyoncé.
A superprodução é dirigida por Giovanni Bianco, que trabalhou durante anos com Madonna. No clipe, Anitta fala sobre um outro Rio que, até agora, não era para exportação, de Honório Gurgel. Ela canta em inglês em cima da batida suave de um trap quase jobiniano para os padrões do ritmo. De maneira muito inteligente ela conecta definitivamente as duas pontas da história.
Já faz algum tempo que o funk é o ritmo brasileiro mais ouvido no exterior, mas quando um artista de global como Drake regrava a música “Ela é do Tipo” ao lado do MC Kevin o Chris, o estilo alcança outro patamar. O MC de Duque de Caxias que também gravou com Post Malone e Will.I.am foi o primeiro funkeiro a ultrapassar 1 bilhão de streams no Spotify.
Algo parecido na música brasileira talvez só tenha acontecido quando, em 1967, Frank Sinatra gravou um disco inteiro com Antonio Carlos Jobim tocando apenas suas composições. A Bossa Nova ganhou proporções inimagináveis, “Garota de Ipanema” se transformou na música mais tocada e conhecida do planeta. Tudo isso 50 anos antes de vir parar na batida do novo hit de Anitta.
Hoje quando escuto MCs como Hariel, Salvador da Rima, Paulinho da Capital, Ryan SP e tantos outros, consigo ver o quanto essa cultura cresceu e evoluiu de forma consistente e bonita. Assim como o rap nos anos 90, o funk hoje tem importância fundamental na construção do imaginário de uma parcela considerável da população.
O funk é grande, dinâmico e tem várias frentes. Quem não gosta de putaria, pode ouvir o consciente, que tem letras que dialogam mais com o rap e ajudam a conscientizar a molecada. Quem não gosta do consciente pode ouvir o ostentação, o melódico, o romântico ou até o proibidão.
Quem não gosta de nenhum deles também não precisa ouvir. O que não dá mais é pra continuar tendo preconceito com o que a música brasileira produziu de mais importante em décadas. Quem em 2021 ainda fala bobagem sobre o funk é porque não está entendo mesmo nada.
Créditos: João Wainer - Folha de São Paulo
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Vira e mexe, argumentos de que o funk brasileiro se reduz a "música de putaria" vêm à tona. Na última semana, quem puxou o bonde da discussão foi o produtor musical Rick Bonadio, célebre principalmente por ter produzido os Mamonas Assassinas. Comentando a cerimônia do Grammy, Bonadio criticou a comoção dos brasileiros no Twitter depois que um remix de "WAP", do DJ Pedro Sampaio, foi ouvido por alguns segundos durante a apresentação de Cardi B com Meghan the Stallion. Em sua conta na rede social, o produtor musical tuitou (e depois apagou, mas os prints são eternos)
Como é de praxe na rede, logo a treta estava instaurada. Pedro Sampaio respondeu prontamente. Artistas do funk e de outros gêneros musicais também rebateram o produtor: Anitta, Luiza Sonza, Valesca, Ludmilla, Jão, Lucas Silveira, Lexa, Mc Kevinho e vários outros engrossaram o coro contra a fala de Bonadio.
'Só os favelados são humilhados' Se o incômodo com o funk vem do fato de as letras serem explícitas, Arnaldo Antunes compôs "Ela goza com a mão/ Não precisa do seu pau" ("Essa mulher", 2001). Por que não se sabe de críticas em massa ao artista? O início de uma resposta vem de uma das desbravadoras da "putaria no funk", Tati Quebra Barraco, que crava: "Só os favelados são humilhados".
Antes de ser Tati Quebra Barraco, Tatiana dos Santos era cozinheira em uma creche na comunidade carioca em que morava, a Cidade de Deus. A incursão no funk se deu por acaso, na piada, depois de três meses sem "quebrar o barraco" — que significa transar, como ela explica ao TAB durante uma conversa sem meias palavras.
Dos versinhos rimados em mesa de bar, Tati foi subindo nos palcos dos bailes da CDD porque "o pessoal foi achando engraçado", e quando viu, estava tocando nas rádios e sendo procurada para shows.
"Foi acontecendo, eu tinha um emprego legal, que gostava, mas Deus pôs essa oportunidade no meu caminho e fui ver se colava." Colou.
O funk a levou a vários países, e um dos episódios que ela descreve como o mais marcante foi quando se apresentou como única brasileira em um evento exclusivo para a imprensa, no Palácio de Berlim. A artista achou a plateia muito sisuda, mas o tradutor garantiu que os jornalistas estavam gostando e que pediram bis.
"Acontece que eles não estavam entendendo nada que eu dizia"
Quando questionada se tem memória do que cantou na ocasião, a funkeira responde prontamente
"Ah, meu repertório: 'Dako é bom', 'Fama de putona', 'Quebra o meu barraco', todas essas'"
Para Tati — que tem feito sucesso no Instagram dando dicas de vida para os seguidores —, tentativas de reduzir o funk à vulgaridade sempre existiram.
"A gente que vem da comunidade é que sabe da nossa realidade, sempre tem alguém que não é do funk pra dizer que a gente tem que melhorar. Na minha época, nem tinha isso de ser empoderada. Acho que quebrei tabus e abri porta pra que mais gente ganhasse a vida cantando putaria".
Aos críticos, ela responde com um de seus bordões mais desdobrados em memes e figurinhas de WhatsApp.
"Quem gostou, bate palma. Quem não gostou, paciência."
P*taria que transforma vidas
As palavras cantadas do outro lado da linha poderiam fazer enrubescer os ouvintes mais pudicos e distantes do funk carioca: "O seu corpo treme todo/ Fica toda arrepiada/ Ainda nem tiramos a roupa e já tá toda molhada". O timbre inconfundível de MC Serginho, que estourou em 2002 com o hit "Vai, Serginho!" não surpreende quem muito já engrossou esse coro, alternado com medleys de "Vai, Lacraia", em menção à dupla do cantor. A icônica dançarina travesti morreu em 2011 — e a voz do MC se embarga ao dizer que tem certeza de que a Lacraia olha por ele do plano superior.
Morador "desde sempre e para sempre" da favela do Jacarezinho, como faz questão de frisar, Serginho hoje é locutor da Rádio Roquette Pinto, do governo do Estado do Rio. Também faz shows de "stand up funk" e atua como DJ, mas destaca que está parado há um ano por conta da pandemia. No stand up, canta e conta as histórias das músicas como coisas que acontecem na vida de todo mundo.
"Sempre gostei de sacanagem, de contar sacanagem", diz ele, enquanto explica os traços documentais de "Vai Serginho", inspirada em um episódio em que "fez amor" com sua então namorada.
"No meio do momento, no carro mesmo", a moça repetia as palavras que se tornariam um dos refrões mais famosos dos anos 2000.
Segundo o artista, quando se trata de funk, as pessoas tendem a "ver putaria até onde não tem". Foi o que fizeram, ele conta, com outro de seus hits, "Eguinha Pocotó" — escrita a partir de uma brincadeira com a filha, na época com 2 anos.
O MC qualifica as críticas ao funk como hipócritas, moralistas e desmerecedoras do potencial ressocializador do gênero musical, que movimenta a economia das comunidades.
"Onde tem um baile funk, tem uma tiazinha vendendo cachorro-quente, um cara vendendo água, cerveja. Deviam criticar é a política que deixa a periferia à míngua, não a putaria, que muda a vida de quem não tem oportunidade."
"Quando é na Zona Sul é diferente"
No auge do seu sucesso, em 2006, Pedro Jorge Lopes fez uma temporada de shows em Nova Jérsei, nos Estados Unidos. Ele estava com várias outras apresentações marcadas no exterior, mas elas tiveram que ser canceladas abruptamente em 24 de maio, quando a polícia bateu em sua porta em Niterói (RJ), e logo a notícia se espalhou:
"Polícia prende MC Colibri". O cantor passou seis meses preso, foi liberado e o processo acabou sendo arquivado por falta de provas. O MC veio do samba e tocou com grandes ícones do gênero, como Zeca Pagodinho e Arlindo Cruz. Foi também puxador em agremiações como Império Serrano, Portela e a Beija-Flor, onde ganhou seu apelido
"Meu nome artístico era Pedrinho da Portela, mas não dava pra usar quando fui puxar samba ao lado do Neguinho da Beija-Flor. Aí me deram esse apelido, Pedrinho Colibri".
Era no samba, inclusive, que o MC esperava seguir carreira musical. Mas no início dos anos 2000, o funk era mais promissor, a menina dos olhos das gravadoras. Depois de um convite de MC Marcinho, o sucesso, os contratos e agenda lotadíssima vieram com os versos da música "Quer bolete?".
Num momento em que fazia sete shows por noite, Colibri recorda de ter desmaiado de fadiga no palco e acordado em uma ambulância, nos braços de ninguém menos que o finado Mr. Catra, em um show no Rio das Pedras, meca dos bailes da época.
"Foi tudo rápido. Morava no Acari, deitei pobre e acordei rico, com 'Bolete' no topo das paradas, tocando no exterior. Não esperava isso, foi uma loucura. Fiquei chateado com o empresário no dia do desmaio, porque ele queria que eu voltasse pro palco, sem se preocupar com a minha saúde."
Para o cantor, que hoje vive em Belo Horizonte — onde está quarentenado com a esposa e os filhos —, sua história é uma das tantas que ilustra "a covardia, o preconceito e a discriminação com a favela e suas manifestações" e questiona por que, ao invés de só criticar, os detratores do gênero musical não fazem projetos para incentivar os jovens na música erudita, já que o funk incomoda tanto.
Colibri diz que, particularmente, prefere a juventude fazendo funk do que pegando em fuzil.
"Tem muito preconceito, racismo, tudo junto aí. Quando é na Zona Sul, é diferente"
Créditos: Julia Pessôa - TAB UOL
- 19:00
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“Acho que o funk abraça todo mundo.
“Vejo como a realização de um sonho e a recompensa por tanto trabalho. Esse reconhecimento de nomes tão grandes só confirma que estou no caminho certo e não posso parar”, comenta o músico em entrevista ao Correio.
Em 2021, o MC emplacou mais um hit. Com Tipo gin, ele alcançou o Top 200 Global do Spotify e liderou a lista brasileira e a portuguesa na plataforma, além viralizar no TikTok com mais de 260 milhões de interações na rede social.
“Procuro, cada dia, inspirar os que estão começando a não desistirem, a continuarem acreditando nos sonhos deles, estou sempre com meus crias, não saio da minha comunidade e procuro ser exemplo por lá, o máximo que eu puder”, explica o artista sobre o que pretende com o próprio trabalho.
“Estamos vivendo a melhor fase da história no que diz respeito ao funk”, avalia o artista, que tem mais de oito milhões de ouvintes mensais e músicas com mais de 50 milhões de reproduções na plataforma. “O funk é o ritmo mais versátil e mais aberto do mundo, isso fez nosso movimento evoluir, sem marra, sem ser prepotente. O funk está aberto para a música, e o nosso ritmo envolve, nossas letras encaixam em tudo. Acho que ainda vamos dominar o mundo”, brinca.
“Estamos literalmente em todos os lugares e com diferentes abordagens, o funk não é ‘tudo igual’, como alguns dizem, temos muitas expressões artísticas dentro dele”, explica a cantora. “Acredito que esse seja um dos diferenciais para o seu desenvolvimento, ele é diverso”, completa.
“Eu costumo dizer que o rap e o funk são dois filhos da mesma mãe. Eles são irmãos, cada um com a sua identidade e estilo, mas sempre juntos”, explica Delacruz, um dos grandes nomes da nova geração do rap nacional e que começou a carreira no funk. Recentemente, o rapper lançou a música Romântico 90, em parceria com o MC Marcinho, autor da canção que abre essa reportagem. “Existem caminhos melódicos que o Marcinho usa e que eu aplico demais nas minhas músicas”, conta Delacruz, ao dizer que, como cantor de rap, ele traz referências do funk nas canções.
“A música brasileira com mais acessos no YouTube é um funk, a música mais ouvida no Spotify Brasil hoje é um funk”, fala Mc Don Juan que, atualmente, está nas três primeiras posições do ranking das mais ouvidas do Spotify Brasil. “Acho que o movimento está no caminho certo”, complementa o músico.
“O entretenimento é a arma do funk”, assim define Filipe Alemar, produtor executivo da Obi, selo de música hip hop de Brasília. Com batidas cativantes e letras acessíveis, que representam boa parte da população brasileira, o ritmo é capaz de agradar a diferentes tipos de públicos. “A estratégia do funk está mais ligada ao apelo estético, de conseguir deixar claro o seu posicionamento político, por meio de uma musicalidade que tem o entretenimento como potência. Até pelo fato de ser essencialmente brasileiro, ele conseguiu atingir a massa de uma forma diferente”, diz Filipe.
“O funk hoje exerce a função de inspirar, faz com que as pessoas queiram ascender socialmente e tentarem ser melhores. Assim como fez o pagode dos anos 1990, o samba, o forró e, mais recentemente, a pisadinha”.
- 16:00
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“A ideia é resgatar esse costume, essa prática que existia no funk dos anos 90 de trazer letras românticas com frequência, aquele romantismo verdadeiro. Hoje em dia a gente tem como brega, como cafona, mas naquela época era muito comum. Acho muito bonito esse sentimento”, declara o rapper. Como o rapaz tem MC Marcinho como um dos seus ídolos e também de referência quando o assunto é o funk mais melódico, não apenas o chamou para cantar, como o convite também veio par participar do clipe. No making of, o carioca falou sobre as diferenças entre o funk de antigamente e o atual.
“Naquela época existia um romantismo nas músicas, nas letras. As letras eram cantadas, na verdade. Hoje você já não canta tanto, dança-se mais do que se canta. As letras não têm o romantismo que tinham antigamente. É justamente o que o Delacruz vem relatar”, avalia o funkeiro.
“A qualidade era menor, porque você não tinha tantos recursos que você pudesse trabalhar ou produzir. Hoje você tem um recurso muito maior, mas perdeu um pouco da essência do romantismo, da letra, daquilo que você vive mesmo dentro da comunidade”, completa MC Marcinho.
No entanto, o dono do hit “Glamurosa” não é o único que faz uma participação especial no clipe. A dupla Cidinho e Doca também aparece em “Romântico 90”.
“É uma satisfação imensa poder falar mais uma vez sobre esse assunto que, pra nós, é tão importante. O funk, a música, a arte. Orgulho é a palavra”, diz Cidinho.Verônica Costa, eternamente conhecida como a Mãe Loira do funk, também comentou sobre a nostalgia de estar no Morro do Tuiuti, onde o clipe foi gravado, por ser próximo dos estúdios da antiga emissora CNT. “Foi a primeira emissora a aceitar o funk”, revela a vereadora do Rio de Janeiro.
- 15:00
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Maricá - Tendo como tema “Arte e Pensamento”, a Prefeitura de Maricá, através da Secretaria de Cultura, realiza de 21 a 30 de junho, a I Mostra Online de Cinema de Maricá. Entre as obras apresentadas estão documentários sobre artistas, poetas, pensadores e músicos brasileiros, além de filmes premiados em festivais nacionais e internacionais.
Todas as sessões serão transmitidas pelas páginas da Prefeitura de Maricá e da Secretaria de Cultura, presentes no Facebook e Youtube, às 16h, 19h e 21h.
Hoje, às 21h tem a exibição do filme "BOB RUM - A HISTÓRIA DE UM SILVA".
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- 11:40
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MC lança documentário e reflete como 'Rap do Silva' continua atual, 26 anos depois de seu lançamento "São os mesmos problemas e as mesmas mazelas"
"Infelizmente, para os moradores de comunidades, onde 99% são pessoas de bem, a letra da música parece que foi feita ontem. São os mesmos problemas e as mesmas mazelas", reflete o funkeiro, aos 51 anos, cria da Favela João XXIII, em Santa Cruz, na Zona Oeste.
"O 'Rap do Silva' nada mais é do que um grito de socorro. A cada covardia e banalização da vida tem um Silva por trás, uma mãe que chora, um pai que perde o filho, o filho que perde o pai... o triste é saber que a tendência é que este ciclo seja perpétuo", lamenta o MC.
"Afirmo, sem sombra de dúvidas, que vivi os melhores dias da minha vida no João XXIII. Guardo em meu coração com carinho. Foi ali que aprendi as maiores lições de vida que carrego comigo. Hoje, homem formado e pai de família, me pego conversando comigo mesmo: 'Garoto, você era feliz e não sabia, que infância maravilhosa você teve", relembra, com brilho nos olhos, celebrando o sucesso do funk no mundo.
"A cultura funk é como diria Raul Seixas: uma metamorfose ambulante. Tem espaço para todos, e isso é muito bom, porque gera oportunidades, principalmente aos jovens de comunidades que se inspiram no gênero para viverem dias melhores", avalia o artista.
"Poder contar a minha história sem filtro foi maravilhoso! Quem conhece o cantor Bob Rum nem imagina o quanto que as águas desta vida tentaram me derrubar, mas segurei na mão de Deus e fui. Eu tinha tudo pra ser o Silva que morre, mas escolhi ser o Silva que luta, com as armas da humildade, respeito e amor, por dias melhores", declara.
Créditos: Leonardo Rocha - O Dia
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