Como o filme 'Lua de Cristal' mudou o funk no Brasil? Série conta histórias do ritmo

21:00

João Brasil apresenta entrevistas com pioneiros do funk carioca. Na estreia, DJ Marlboro conta como descobriu que Xuxa era 'funkeira' no set do filme e cavou espaço na TV contra preconceito. 




DJ Marlboro tinha lançado havia poucos meses "Funk Brasil", o primeiro disco do funk carioca, quando recebeu uma ligação de Marlene Mattos. A empresária procurava os tais novos funkeiros para participar do filme "Lua de Cristal" (1990), estrelado por Xuxa e Sérgio Mallandro. 

A cena era curta, mas ajudou o DJ pioneiro a fazer uma descoberta: Xuxa também era funkeira. A nova aliada ajudou a abrir espaço para o estilo na TV e a combater o preconceito. Essa é uma das histórias contadas na websérie "Funk Brasil Entrevista".

A série é comandada por João Brasil, cantor do hit "Michael Douglas". A primeira temporada tem dez entrevistas com precursores do batidão, em vídeos publicados no YouTube todas as terças e quintas, às 19h.

Nesta quinta-feira (21), o entrevistado será Abdullah, MC pioneiro do funk carioca. Entre os próximos entrevistados estão Deize Tigrona, MC Smith e Jonathan Costa - o "Jonathan da nova geração" da produtora Furacão 2000. 

Como 'Lua de Cristal' iluminou o funk?


Xuxa com o Movimento Funk Clube em 'Lua de Cristal' 

Marlboro conta que levou para a gravação do filme "Lua de Cristal" o Movimento Funk Clube, com músicos que estariam na capa do álbum "Funk Brasil 2", creditados como Fat Boy, MC Havage, Abdullah, Lazer Bick e MC Paulão. 

Eles aparecem no filme dirigido por Tizuka Yamasaki cantando a música "Diga alô", na cena em que a mocinha, a sonhadora Maria da Graça, chega do interior à cidade grande e conhece o caótico cenário urbano do Rio. 

Durante a filmagem, Marlboro teve uma revelação, na época em que o movimento ainda tomava forma no Rio, longe da popularidade nacional que tem hoje: Xuxa preferia ficar no meio dos MCs do que no seu camarim.

"Nós funkeiros tínhamos lá uma barraquinha, tipo de camping. Tinha que trocar de roupa deitado para ir para a gravação. A Xuxa tinha uma tenda enorme com ar condicionado, frutas. Ela abandonava tudo aquilo e ia lá com a gente ficar dançando, brincando, ouvindo música", ele conta sobre o set. 

"Eu falei: cara, a Xuxa gosta de funk. Eu não sabia que ela gostava tanto assim. Ela largava toda a mordomia que tinha para ficar com a gente nas tendinhas mais pobres. "

Além de apresentar o novo ritmo no filme com 920 mil expectadores só na primeira semana, um recorde na época, a conexão com sua estrela fez muita diferença para o funk carioca. 

Depois disso, Marlboro tocou no "Xou da Xuxa", na TV Globo. Mas os olhos brilharam mesmo quando ele viu que a apresentadora iria fazer um programa musical, o "Paradão da Xuxa", de 1992, dedicado a um ritmo por edição. 

Não seria fácil convencer Marlene a fazer um "Paradão" só de funk. O DJ recorreu à nova aliada e à astrologia: 

"A Xuxa é ariana, impulsiva", diz Marlboro. 

Ele diz que conseguiu colocar uma fita de funk no ar e fazer a apresentadora se empolgar e anunciar, sem consultar Marlene, que haveria o programa dedicado ao ritmo. Foi um sucesso. 

 "Aquele momento da Xuxa ali foi muito importante porque, o funk estava sendo perseguido, massacrado, discriminado. Aí vai uma loira, rica, de olho azul e fala que é funkeira. Bota uma interrogação na cabeça de todo mundo. Não é música de preto, pobre e favelado?", lembra Marlboro.

Marlboro se tornaria DJ residente no programa da Xuxa e ajudaria a levar diversos funkeiros para a TV nos anos 90.

Ele reforça na entrevista "a gratidão que o funk tem com a Xuxa" pelo fato de a apresentadora ter, "naquele momento, batido o pé, feito questão de ser funkeira". 

"O Brasil inteiro conheceu o funk a partir dali", diz o DJ Marlboro. 

Créditos: Rodrigo Ortega, G1

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