Funk Brasil e Rap Brasil

23/08/08 | comentários: 10
Quem não ficava esperando ansiosamente, querendo saber quais músicas e MC's estariam no próximo volume? Sem dúvida nenhuma essas duas coletâneas deram o que falar e revolucionaram o funk carioca.

Na minha opinião, são as mais importantes na carreira do Marlboro, sou fã desses dois títulos, não tinha como ficar de fora e não comprá-los. Hoje, são considerados relíquias e se v0cê der uma navegada pela internet nos sites que disponibilizam downloads, encontrará várias pessoas pedindo.

Marlboro acertou na escolha dos títulos e do conteúdo, acredito que o "Funk Brasil" tenha sido os divisor de águas em sua carreira e o "Rap Brasil" a sua consagração.

Outras pessoas lançaram LP's e CD's seguindo os mesmos padrões mas em se tratando de obra nacional e oportunidade, os dois foram precurssores e alavancaram as carreiras dos respectivos MC's presentes. Marlboro não parou e depois destes dois sucessos, lançou vários CD's.

Bom, vou tentar falar dos projetos com algumas pesquisas e com ajuda do maior conhecedor da carreira do DJ, o escritor Hermano Viana. Infelizmente não tenho todas as capas para divulgá-las, mas quem curtiu funk nesta época com certeza matará as saudades.

O Funk Brasil 1 foi uma vitória sem precedentes. Até seu lançamento as gravadoras e rádios tinham preconceitos explícitos contra o funk. Muita gente dizia que funk era música de suburbano pobre e que esse público não compra disco (tanto que a maioria dos sucessos internacionais nos bailes cariocas ainda não são lançados no Brasil). Grande erro! Funk Brasil 1 vendeu muito, mesmo sem tocar na grande maioria das rádios ("destinadas" a um público "zona sul"), mesmo sem ter um clip no Fantástico. (Créditos Hermano Viana)


Funk Brasil 2 tem tudo para ser um sucesso ainda maior. Marlboro conhece como ninguém o desejo de seu público. Ele ainda discoteca nos bailes do Rio todos os fins de semana. É a rapaziada da pista de dança que aprova ou não as novidades e que cria muitas das gírias e histórias que aparecem em cada música. As letras säo crônicas perfeitas da nova malandragem (electro-pop) carioca.

O tipo de som utilizado no disco também é escolhido cuidadosamente para fazer dançar a massa. Tudo é feito basicamente com uma bateria eletrônica, um sampler e alguns scratches. O ritmo pesado (derivado principalmente do Bass, o funk eletrônico produzido em Miami e adorado no Rio) é o que importa. Marlboro näo quer repetir o erro, cometido por muitos funkeiros norte-americanos, de fazer sucesso e "sofisticar" sua música, perdendo assim seu público inicial. Portanto Funk Brasil 2 deve ser julgado pela sua eficácia simbólica-dançante, com relaçäo ao público dos bailes, e näo por critérios "artísticos" alienígenas.

Essa ligação da música de Marlboro com o modo de vida e dança de um público tão específico poderia impossibilitar sua penetraçäo em outros lugares. Näo é o que acontece. Funk Brasil faz sucesso em cidades tão diferentes como Recife, Belém, Brasília, Juiz de Fora, Vitória e Pelotas, nos bailes "suburbanos" locais. Um dia os suburbios funkeiros brasileiros vão ser levados a sério e väo ter a divulgaçäo que merecem. Espero ansiosamente por esse dia. Os sonhos de Marlboro mal começaram a se tornar realidade. (Créditos Hermano Viana)


Rap Brasil formou uma grande maturidade musical, que retrata com simplicidade e competência dos MC's cariocas, adicionando novos instrumentos, vozes, os arranjos das composições ganharam uma sonoridade particular. Cada lançamento era aguardado com expectativa pelo público e vendeu milhares de LP's e CD's, transformou a vida de muitos meninos das comunidades cariocas.

O DJ Marlboro, idealizador e produtor deste Funk Brasil, é um dos artistas mais importantes da música brasileira contemporânea. Algumas marcas do DJ: (Matéria antiga, vamos relembrar).

- Marlboro foi eleito o melhor DJ (Disc Jockey ou discotecário, a pessoa que coloca os discos para fazer seu público dançar) no primeiro concurso nacional do gênero realizado no Brasil, em 1989.

- Marlboro comanda diariamente um programa de rádio, de cinco às sete da tarde na Manchete FM, que acaba de completar um ano no primeiro lugar de audiência no dial carioca durante esse horário (qualquer pessoa que já trabalhou em rádio sabe como esse horário, que antecede a Hora do Brasil, é fundamental).

- Marlboro criou o único funk eletrônico brasileiro que se transformou em sucesso de massa.

Isso está comprovado no disco de ouro recebido pela coletânea Funk Brasil 1.

"Não escondo: enumero todos esses dados com o orgulho de ser amigo e admirador do DJ Marlboro desde quando ele era apenas o discotecário das noites de domingo no clube Canto do Rio em Niterói. Confesso que fiquei surpreso ao receber minha cópia do Funk Brasil 1. Tudo aconteceu rápido demais. Eu não acreditava muito na possibilidade de realização dos sonhos, de um dia lançar seus discos ou de criar a Motown brasileira, que Marlboro insis-tente-mente me contava. Afinal, todo mundo sabia que ele nunca teve dinheiro para ter dois toca-discos, os "instrumentos" principais de um DJ, em casa."

Apesar das dificuldades, Marlboro sempre foi pioneiro na introdução de novidades no circuito funk carioca. Ele foi o primeiro a fazer scratch (a utilização da agulha do toca-discos, arranhando o vinil em sentido anti-horário, como instrumento musical) e o primeiro a utilizar baterias eletrônicas, samplers e sintetizadores (primeiro doados ou emprestados e agora comprados) ao vivo nos bailes. Era certo que se um dia alguém gravasse um disco brasileiro representativo do mundo dos bailes esse alguém seria Marlboro. (Hermano Vianna)

Na história do funk carioca, Fernando Luis Mattos da Matta, o DJ Marlboro, com seus 24 anos de carreira, é protagonista. Foi ele um dos primeiros que se destacaram no movimento funk carioca, em 1989, quando abocanhou o primeiro lugar do "Campeonato Brasileiro de DJs".


Neste mesmo ano, Marlboro representou o Brasil em Londres. Foi o pioneiro na nacionalização do funk: compôs as primeiras letras, fez as primeiras produções e lançou os primeiros cantores na coletânea Funk Brasil 1989 pela gravadora Polygram. Depois de muito chão, bailes e amor ao funk, Marlboro chegou ao festival Summer Stage, em junho de 2003, no Central Park, em Nova York, que lhe rendeu uma comentadissima entrevista para o Manhattan Connection.


Foi o primeiro DJ convidado a tocar na história do festival e sua passagem pelos Estados Unidos contou ainda com shows em Nova Jersey, Chicago e Boston. Marlboro contabiliza na sua invejável bagagem a histórica apresentação no Festival Eletrónika de Belo Horizonte no mesmo ano.


Atualmente, Marlboro comanda inúmeros bailes pelo Rio e apresenta o programa BIG MIX na rádio FM O DIA, de segunda a sábado, das 16hs às 18hs - lider de audiência no Brasil há três anos - e assina uma coluna semanal para o jornal "O DIA". Também é editor responsável pela revista mensal "Big Mix Magazine". E além disso, lança os CDs dos grandes nomes do funk pela sua gravadora Link Records.


Não podemos deixar de citar que foi o primeiro DJ a participar, como residente, do programa da Xuxa, na TV Globo, participando, também, no filme " Despertar dos Anjos" nos clips de Nando Rosa, Gueto e Fernanda Abreu que ainda lhe prestra homenagem na letra "Brasil País do Swing". Trabalhou como ator, representanto o próprio, na série "Cidade dos Homens" – Fernando Meirelles- também na TV Globo.


Tem sua trajetória registrada nos livros: "Cidade Partida" de Zuenir Ventura; "O Mundo Funk Carioca"de Hermano Viana; "Abalando os Anos 90" de Michel Herschmann. Já lançou dois livros: "Funk no Brasil – Por Ele Mesmo" e "Aventura do Dj Marlboro Pela Terra do Funk".


Suas batidas graves foram a estrela maior na Espanha, Londres, Estados Unidos, França, Inglaterra, Croácia e Eslovênia e Colombia.


Pioneiro da cultura do ritmo, Marlboro é finalmente tratado como merece, sendo reconhecido definitivamente como um dos papas da música eletrõnica no Brasil.


(Créditos release: site Big Mix - Autorizado pelo próprio Marlboro)

Outros títulos do DJ Marlboro:

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(Créditos fotos: Big Rap e DJ Marcelo Negão)



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