Funk Capixaba

04/01/2010 | comentários: 13

E aí sangue bom, você não sabia que rola funk em Espírito Santo? E não é de hoje meu caro. Mas se o cumpade ainda está em duvida a gente pode chamar o DJ Alex, o sabe tudo dos capixabas, pra contar a história do ritmo mais contagiante no Estado:

"Há mais ou menos uns 25 anos atrás a equipe pop Rio, que já agitava funk no Rio de Janeiro, veio fazer um baile em Vitória. Eu já tinha uma equipe, Pop Music que tocava dance nas festas. Gostei do baile, fui me enturmando e conhecendo, até que decidi tentar tocar funk", explica o DJ.

O Amor pelo funk começou tão intenso quanto é até hoje. Foi um período áureo, mas curto. Da mesma forma rápida que os pancadões grudaram em milhares de ouvidos, evaporaram da capital capixaba. A conjuntura era complicada e surgiram problemas. Apesar dos bailes terem sido um sucesso, aquela famosa inexplicável violência reforçou o preconceito que as autoridades tinham e ainda tem com o movimento, levando os estabelecimentos a fecharem as portas para o funk. O golpe de misericórdia veio com uma matéria feita pelo Globo Repórter apontando os bailes do estado como o mais violentos do país. Durante um bom tempo, o funk hibernou em Vitória.

Hibernou, mas não morreu. Continuou tendo DJ Alex um amigo fiel, que defendeu o ritmo num programa da Tropical FM durante vários anos e montou a única loja especializada em funk do estado. Com a explosão do Rap nos meios de comunicação, o trabalho do DJ passou a render mais. Ele pulou para litoral FM onde agitou o programa Top Mix. Apesar do ritmo não ter tanta força quando o carioca, possuía uma galera cativa, que não perdia um baile. A quadra da Escola Império, no bairro de Caratuíba, Clube Náutico, entre outros, eram considerados os "berços" do funk.

A preferência era pelo som importado do Rio. Os MC's cariocas eram os queridinhos e não podiam faltar em festa nenhuma. Apesar disso, os MC's capixabas começaram a despontar e aprontar, destacando-se também nas rádios. Um dos mais famosos foi MC Pakalolo com o Rap da Baixada, que pedia a paz para todos.

O trabalho dos amantes do funk em Vitória não foi fácil. Principalmente com a Imprensa falando mal.

"O baile era violento, na época fiz um trabalho de conscientização das galeras e o clima ficou bem mais calmo. Todo mundo pedia a paz no mundo funk, mas mesmo assim ainda foi e é muito discriminado. Ele não é apenas isso que a Imprensa mostra.", defende DJ Alex

Existindo contras ou não, o funk cresceu no Espírito Santos e assim como no Rio, ganhou outros defensores: os playboys.

"O que mais tinha no meu programa era playboy pedindo funk", fala Alex.

A similaridade com o movimento carioca levou a camaradagem, pois os capixabas faziam questão de estarem sintonizados com o pólo funkeiro. Até gravaram um disco que era metade capixaba e metade carioca. Chama-se Top Mix (pela M. Funk record).

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Essa reportagem foi tirada da Revista Pancadão/1995. Fiz questão de colocá-la aqui para homenagear todos os capixabas que amam, respeitam e cultivam o Funk de Raiz. Até hoje eles curtem essa época, colecionam musicas, fazem bailes tendo como ponto alto os MC's cariocas da década de 90.

Aqui no site existem vários capixabas que vez ou outra deixam recados, pedem musica, elogiam, participam e sempre enaltecem os MC's. Os Mc's por sua vez, sempre me contam histórias marcantes de suas carreiras que tiveram como cenário bailes feitos no Espírito Santo. Por tanto esse amor e respeito é mútuo.

Funk de Raiz agradece à todos os capixabas que amam o funk e recebem nossos artistas com respeito e lotam os bailes até hoje.

Valeu rapaziada!!!!!!!!

Créditos: Revista pancadão

Complemento: Claudia Duarcha

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