Som estridente da Cultura Funk

19:00

Disco “Funk Brasil 3” é lançado hoje no Maracanãzinho




Olha o bicho, olha  bicho”. Quem, quase por reflexo condicionado, costuma responder “to legal, to legal” quando ouve a frase, vai estar com certeza no Maracanãzinho hoje a noite. Lá, a partir das 21 h, acontece a festa de lançamento do LP Funk Brasil 3, com apresentações dos cantores MC Batata, Abdulah e Nanda Rossi, além das equipes de som Cash Box, Duda’s, Equipe Live, Furacão 2000, Inflamasom e Soul Grand Prix. O evento no Maracanãzinho atrai mais uma vez a atenção dos cariocas para o fenômeno dos bailes funk, uma historia de sucesso que se repte todos os fins de semana há pelo menos 20 anos.

Em 1989, o discotecário Fernando Luís Mattos da Matta, mais conhecido nos bailes como DJ Marlboro, lançou pela Polygram a coletânea Funk Brasil.

“O disco tinha oito faixas só com musicas de artistas brasileiros. Graças ao sucesso do LP, que vendeu 250 mil cópias, todos esses artistas gravaram disco solo”, orgulha-se Marlboro.

O Funk Brasil 2, segundo disco de apresentação dos artistas que brilham nos bailes de subúrbio, foi lançado no final do ano passado. Além de batizar três coletâneas, Funk Brasil é o nome do mais recente estágio de evolução da black music carioca. Tudo começou no final dos anos 60, com bailes lotados por fieis seguidores do soul man James Brown.

O fenômeno que mobiliza a periferia ganhou impulso da Zona Sul. Na primeira metade da década de 70, discotecários como Big Boy e Ademir Lemos – este ultimo entrou na primeira coletânea Funk Brasil – eram responsáveis pelo Baile da Pesada, festa que acontecia periodicamente no Canecão:

“Naquele tempo o Big Boy tinha um programa de sucesso na Rádio Mundial. Ele ainda tentava fazer alguma coisa nos subúrbios, mas os empresários estranhavam a falta de músicos. O Big Boy respondia que não tinha conjunto, que fazia o baile só com equipamento de som e seus discos e as vezes tinha que esclarecer tudo na delegacia”, lembra DJ Marlboro

Os jovens que não perdiam um baile da pesada começaram a promover festas entre amigos e hoje são proprietários de algumas das muitas equipes de som existentes. Todo fim de semana estas equipes animam bailes nem lugares tão distante quanto Lagoinha, em Niterói, vários pontos da Baixada Fluminense e Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro.

“Nós já temos contato com equipes profissionais em Minas gerais, Pernambuco, Paraíba e outros estados”, avisa Marlboro

Sem grandes campanhas publicitarias, ou “sem clipe no fantástico”, como costuma dizer Marlboro, as estrelas dos bailes funk atraem publico e vendem discos. As coletâneas Funk Brasil dividem o mercado fonográfico funk com lançamentos como os das equipes de som, Furacão 2000 e Soul Grand Prix. Há quase três anos, de segunda a sábado, em FM, entre as 17 h e as 19 h, o programa de rádio Top Mix, comandado pelo incansável DJ Marlboro, atrai a maior audiência em seu horário.

“Tenho media de 250 mil ouvintes por minuto, é quase o triplo do concorrente mais próximo”, gaba-se o DJ.

A formula do programa, segundo seu criador , é simples:

“É encarnação direto, gozação pura, tudo no improviso e muita musica”

A maioria dos ouvintes do Top Mix e frequentadores dos bailes funk não tem condições de pagar por um curso de inglês.

“Reparei que o pessoal ficava com vergonha de pedir para tocar determinada musica porque não sabia pronunciar o nome direito”, conta Marlboro, antes de dar solução do problema:

“Em cada programa a gente batiza a musica, como a galera já faz sempre nos bailes”.

Assim nascem as melôs. Graças a este processo de batismo, How Much Can You Take, virou Melô da sexta-feira 13. Bass Mechanic virou Melô do Cachorro e Smurf Rock virou Melô dos smurfs. A ideia não é nova. Em 1988, por exemplo, uma musica do grupo americano Fat Boys chamada You Talk too much foi transformada nos subúrbios cariocas em Taca Tomate.

Em bailes concorridos como o que acontece hoje no Maracanãzinho, quem não gosta de funk bom sujeito não é.

Créditos:  Pedro Tinoco – Caderno B – Jornal do Brasil/1991

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