Debate 'Em defesa do funk' discute a linguagem polêmica do 'proibidão'

23/12/2010 | comentários: 0

Na manhã desta quinta-feira, na sala 2 do Espaço de Cinema, em Botafogo, o encontro "Em defesa do funk", motivado pela recente prisão de MCs (acusados de associação ao tráfico e formação de quadrilha) debateu a linguagem dos "proibidões" (funks que glorificam o crime). Após a exibição do documentário "Favela on blast", de Leandro HBL (um dos organizadores do encontro), seguiu-se um bate-papo sobre o tema, do qual também fizeram parte o DJ e produtor Sany Pitbull, o MC Leonardo (da Associação dos Profissionais e Amigos do Funk - APAFunk) e o subprefeito de Cidade Tiradentes (SP) Renato Barreiros. Os próprios debatedores, contudo, sentiram a falta de alguma autoridade do Poder Público para aprofundar o debate.

Na sala, figuras notáveis só as do DJ Marlboro (que revelou muitos nomes do funk carioca) e o cantor Toni Garrido (ex-Cidade Negra). Durante o debate, Sany reforçou que não toca mais proibidão (largou o gênero há três anos) porque o funk tem que se respeitar, não se degradar (citando nomes que ele baniu de seu setlist, como Gaiola das Popozudas, que transitam por letras eróticas). E afirmou que o funk carioca irá "dominar o mundo" por já ser um grande sucesso na Europa, onde ele tem se apresentado muito ultimamente e notado isso. Já o MC Leonardo, que durante o evento se emocionou ao falar do MC Galo, um dos MCs que estão presos, ressaltou que o proibidão é uma realidade das favelas. "Ele não incute a violência, só relata", disse.

O subprefeito de Cidade Tiradentes, periferia da Zona Leste paulistana, Renato Barreiros contou sua experiência com um projeto no qual meninos da localidade estudam música, canto e aprendem a fazer letras sem apologia ao crime. É o que ele chama de "permitidão", que é o que toca nos bailes daquela comunidade. Barreiros luta para que o funk receba do Ministério da Cultura verbas iguais às dadas à música clássica ou MPB. Afinal, diz ele, é uma expressão popular tanto quanto qualquer outra.

Créditos: Jornal Extra

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