Alerj em ritmo de funk promove debate para descriminalizar bailes nas favelas

27/08/2009 | comentários: 0
"É som de preto / de favelado / mas quando toca ninguém fica parado".

A letra da música "Som de preto", dos funkeiros Amilcka e Chocolate reproduz exatamente a cultura do funk, segundo a Associação de Profissionais e Amigos do Funk (APA Funk).

A associação vem brigando ultimamente com a lei 5.625, criada pelo deputado Álvaro Lins, que acaba proibindo a realização de bailes funks nas comunidades. A Assembleia Legislativa do Rio reuniu a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania e funkeiros para debater sobre as possíveis políticas públicas que podem ser adotadas em relação ao funk nas comunidades.

"Acho que existe muito preconceito contra quem faz o funk. Acham que é coisa de favelado e que estimula a violência e o consumo de drogas", disse Adriana Facina, fundadora da ApaFunk. Ela explica que qualquer aglomeração de pessoas aumenta a violência, então isso não seria motivo para acabar com as rodas de funk.

"Além do mais, se formos julgar pela venda de drogas, podemos citar que nas raves também há um aumento de venda de drogas sintéticas, ou seja, isso independe dos organizadores", ressaltou Adriana, que também é antropóloga da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Adriana Facina explica que a lei exige algumas determinações que acabam impedindo a realização dos bailes nas favelas.

"A instalação de diversos banheiros públicos é uma delas. Numa rave, onde envolve pessoas com muito dinheiro e a entrada do ingresso é cara, é mais fácil colocar banheiros públicos", disse a professora, lembrando que o ingresso do baile é, muitas vezes, gratuito.

De acordo com os relatos que chegam à comissão, o estilo musical tem sido proibido pelos policiais nas favelas e o objetivo da reunião é promover um espaço de debate com novas visões, fora da esfera da segurança pública.

"A proposta é pôr em questão oportunidades de se promover o funk como um instrumento pedagógico a ser utilizado nas escolas ou de se criarem, por exemplo, oficinas profissionalizantes para formação de DJs. Esse é o caminho para o estado reconhecer que o funk existe desvinculado do crime", defende o presidente da comissão, deputado Marcelo Freixo (Psol).

O deputado é autor de dois projetos de lei: um deles torna a batida movimento cultural. O segundo revoga uma lei que criou uma série de restrições para a realização dos bailes funk e os inviabilizava.

Mc Leonardo, autor de músicas como o "Rap das Armas", destaca que o ritmo precisa ser visto pelo estado não como um problema da polícia.

"Precisamos ser vistos através da Secretaria de Cultura e de Educação. Se formos vistos pela polícia isso vai criminalizar mais ainda a música", disse o Mc. Ele contou ainda que o funk é responsável por tirar cerca de três mil pessoas de casa, em regiões que não há muita opção de lazer.

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Créditos Sidney Rezende

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