MCs Claudinho (in memorian) e Buchecha: pela evolução do funk

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No ritmo de um disco por ano, a dupla funk Claudinho e Buchecha – que ganhou fama nacional em 1996 com a música Conquista ("Sabe/ tchu ru ru ru/ Estou louco pra te ver/ Ê-êr/ Ó yes!") – acaba de chegar ao seu quinto álbum, Destino. Quis o próprio que os dois rapazes da cidade fluminense de São Gonçalo driblassem todas as armadilhas do sucesso rápido (que vitimou os outros astros surgidos no funk carioca do meio dos anos 90) e se estabelecessem como artistas pop, acumulando sucessos do calibre de um Quero Te Encontrar, Nosso Sonho, Xereta e Só Love.

O investimento em shows com banda de baixo-guitarra-teclado-bateria (no lugar do tradicional DJ dos bailes), iniciado dois anos atrás, começa agora a mostrar resultado nas faixas do novo disco.
"Hoje a gente tem uma noção melhor de palco e sabe o que está acontecendo no campo harmônico", conta Claudinho. "Antes, a gente cantava à moda boi – tinha ritmo, mas não tinha afinação. Passamos a entender melhor isso quando começamos a tocar com banda." 
Recursos de estúdio à parte, Claudinho e Buchecha hoje em dia já conseguem encarar um voz-e-violão, como se pode ouvir na introdução de Canto Pra Não Sofrer / Niterói – S. Gonçalo.

Para gravar Destino, a dupla passou longos dois meses dentro do estúdio.
"Os outros discos foram todos feitos meio na correria. Neste a gente teve mais oportunidade de trabalhar com a banda", diz Claudinho. 
Das gravações, participaram alguns dos músicos que vinham acompanhando os dois nos shows: o guitarrista Vinicius Rosa, o baixista Fábio Lessa e o tecladista Hiroshi Mizutani (que produziu algumas das faixas).
"Ele já havia produzido Xereta e Carma Chinês (em Só Love, disco de 1998). Ganhou o contexto", revela o MC.
Para quem havia gravado uma versão de Tempos Modernos (Lulu Santos) no primeiro disco, Uma Noite e ½ (sucesso de Marina) no segundo, uma de Lilás (Djavan) no terceiro e outras de Lindo Balão Azul (Guilherme Arantes) e Carro Velho (Ivete Sangalo) no disco anterior, é no mínimo estranho não trazer nenhum cover de sucesso no novo CD. A razão alegada por Claudinho é que havia muitas músicas novas.
"A dúvida nesse disco não era qual a música que ia ter que entrar, mas qual a que a gente ia tirar", conta, explicando que nem sempre é tão fácil assim fazer regravações. "Para regravar uma música, a gente tinha que achar uma forma para que ela ficasse igual ou melhor que a original."
Cabelo alisado com henê

Aos 25 anos de idade (mas tendo vivido "coisas que nem uma pessoa de 40 anos viveu"), Claudinho e Buchecha aproveitam Destino para dar recados sérios. Feiticeira, por exemplo, fala nas entrelinhas sobre discriminação. A personagem da música não é a onipresente Joana Prado, mas uma hipotética menina da favela, de pele cor de cera e cabelo alisado com henê.
"Quando se fala em sereia, o cara logo pensa numa garotinha Zona Sul, uma patricinha. A música é um comunicado: na favela também tem sereia", avisa Claudinho. 
Já Espelho, é uma defesa do jeito de ser do piloto Rubens Barrichello, um dos ídolos do MC:
"Não gostava muito de Fórmula Um, ainda mais depois da morte do Senna. Mas a gente notou que o Rubinho é um cara que não se entrega. Apesar de sacaneado pela mídia, ele não ataca quem o atacou e busca seu espaço com serenidade e humildade. Ele se acha capaz."
Não dá para deixar de notar, na contracapa do disco, os dois punhos com anéis que formam, respectivamente, as palavras amor e ódio, no melhor estilo gangsta rap. Mas, segundo Claudinho, isso é só uma lembrança dos tempos em que ele ia aos bailes funk todo produzido, com três cordões no pescoço e oito anéis nos dedos.
"Amor e ódio são como a noite e o dia, o bem e o mal. Se você for ver, os anéis que dizem amor estão na mão direita – a gente sempre prega que o amor é mais forte. Isso é para fazer as pessoas refletirem sobre o que elas perdem com o ódio e ganham com o amor".
Claudinho e Buchecha se sentem compromissados com o público funk que os acolheu no começo da carreira – por isso, não deixam de incluir faixas no gênero em seus discos.
"Esse público amadureceu, mas gosta de lembrar o que curtia na adolescência", explica o MC. 
Ele só não concorda muito é com os rumos que o funk andou tomando ultimamente, nas melôs das popuzudas e congêneres.
"Se caiu na graça do povo, é porque é bom", começa, diplomático. 
"Mas acho que [o tema das popozudas] está... muito persistente. Você liga o rádio nos programas de funk não ouve mais as músicas internacionais, de Tony Garcia e Trinere, ou as de William e Duda, Cidinho e Doca. É só popozuda pra cá, popuzuda pra lá... Parece que é tudo a mesma música. Não tem conteúdo, não tem nem como dar uma explicação sobre as músicas. Se entrevistarem o autor ele vai dizer o quê?", divaga. 

Mas ele acha que a situação pode melhorar:
"A música brasileira é muito rica, o brasileiro tem imaginação. O ritmo ajuda, mas quando tem uma letra que o cara pode estudar, ela prende ainda mais a atenção."
"Essa nao e´ uma homenagem sobre a trajetoria como fiz com outros MC's, mas sim uma forma de carinho ao Claudinho. O Cara faz falta e sem duvida nenhuma era o alicerce da dupla."

Recomendo:

Claudinho e Buchecha: Programa faz homenagem

A nova temporada de Por toda a minha vida vai contar a história da dupla Claudinho e Buchecha. O programa falará da trajetória profissional dos funkeiros e lembrará do acidente de carro que matou Claudinho, há seis anos. A produção da Globo vai ao ar no segundo semestre deste ano. O episódio de estréia homenageará os Mamonas Assassinas, o próximo, a cantora Dolores Duran, e, então, o Chacrinha. Os dois primeiros programas já foram gravados.

Créditos texto: CliqueMusic.uol - Crédito Foto: Alba Franco

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