Paz e amor no Funk

22:36

Os reis do funk, no momento, atendem pelos nomes de Claudinho e Buchecha. Venderam 800 mil cópias de seu primeiro CD em apenas oito meses e já convivem – bem – com os bônus e ônus da fama: levam arranhões de fãs pelo Brasil afora e mudam a vida para melhor, com dinheiro no bolso. Mas Claucirlei, o Buchecha, e o amigo de infância Claudio preferiram não trocar o endereço. Os dois continuam morando no Salgueiro, em São Gonçalo, para onde se mudaram quando meninos.


“Nossa vida ainda está passando por modificações. Lutamos bastante para conseguir isso. Começamos em 92, e só em 95 conseguimos aparecer, depois de vencer um festival de funk com o Rap do Salgueiro”, diz Buchecha.

Mas os garotos do subúrbio já deram uma grande guinada: foram agraciados com uma moção de aplauso na Assembleia Legislativa do Rio pelo excelente trabalho em prol do desenvolvimento do funk romântico, como justificou a deputada do PSDB, Alice Tamborindeguy, que propôs homenagem.


Em bom português, ela está elogiando a dupla por ter contribuído para tirar a violência dos bailes funk do subúrbio carioca. O sucesso de Claudinho e Buchecha estimulou outros grupos a irem na mesma linha, mais calma e romântica.

“Em qualquer ambiente existem pessoas violentas. Quem determina isso não é o tipo da musica que está tocando e nosso trabalho mostra o lado bom do funk”, explica Buchecha.

A dupla faz questão de lembrar que as letras de suas musicas não falam de violência ou problemas sociais.

“As coisas duras do dia-a-dia já fazem parte do noticiário da TV. Procuro falar do bom cotidiano, de mim mesmo, da minha vida com minha esposa, da vida do Claudinho. Procuro falar de amor”.

Claudinho, ou Claudio Antônio Rodrigues de Mattos 21 anos, é o responsável pela formação da dupla. Foi ele quem convenceu o amigo Buchecha a deixar o grupo de pagode Raio de Luz e embarcar numa aventura com o funk:

“Até hoje sou bem mais pagodeiro do que qualquer outra coisa. Mas curto todos os estilos de musica”.

Coreografias no programa da Xuxa e no futebol

Os dois sonhavam em ganhar um disco de ouro (para quem consegue vender 100 mil cópias) e aparecer na TV. Atualmente, eles têm de fugir para um esconderijo em Cuiabá. Mato Grosso, para curtir uma semana longe da mídia e dos shows.

Agora, a meta é uma carreira no exterior. O primeiro passo será dado mês que vem quando se apresentam em Miami, numa convenção internacional de gravadoras. Mais um sonho realizado.


Buchecha, além de compor as musicas, é o responsável pelas coreografias sempre presentes no programa da Xuxa e atual coqueluche nos campos de futebol. Rimário, Edmundo e Ronaldinho, entre outros, são fãs assumidos dos funkeiros. Ronaldinho até gravou um comercial para TV cantando a musica Nosso Sonho.

“Eu acho que ele é melhor jogando futebol, mas é fantástico o Ronaldinho cantar nossa musica num comercial. É uma prova de que ele curte, ouve, e nos dá a maior força”, diz Buchecha

Romário e Edmundo não se cansam de comemorar as coreografias dos cantores. A mais famosa, Conquista, toca sem parar nas rádios e foi inspirada no seriado americano família Dinossauro.

“Eu invento, mas quem executa é o Claudinho. Eu canto a maior parte das musicas e ele é a Carla Perez da dupla.”


Claudinho dá corda ao bom humor:

“Já viu o tamanho do meu bumbum? As louras gostam pra caramba”.

Claudinho é o mais animado. Para ele, flamenguista doente, ruim mesmo é ter que ficar sem jogar bola por causa dos compromissos profissionais. Não se cansa de fazer piada com tudo, e tem sonhos de consumo mais ambiciosos do que seu companheiro.

“Quero ter um helicóptero para levar meus amigos, minha família e minha noiva para passear.”

A noiva é Vanessa, que ele namora há dois anos e meio.

“É bom demais você se sentir amado. Poucas pessoas conseguem sentir uma emoção tão grande quanto a que sentimos a cada show”, diz Claudinho.


Os dois enfrentam uma agenda de shows enlouquecedora. No domingo 17, acompanhados de perto pela equipe de Manchete, eles embarcaram para São Paulo. Do aeroporto de Congonhas seguiram direto para os estúdios do SBT na Vila Guilherme e gravaram participação no programa de Celso Portiolli. Depois, um show no Rapsody Club, em Osasco e outro em Aramaçan, em Santo André.

“Quando tenho um tempo livre, fico na minha caxanguinha, curtindo minha preta e ouvindo meus CDs”, confessa Buchecha.

Aos 22 anos, ele se considera realizado na vida profissional e pessoal. A mãe, Telma, é separada do pai, Claudino, que o cantor define como uma fábrica:

“Tenho 12 irmãos. Sete do casamento de meu pai e minha mãe, e cinco do segundo casamento dele.”

Claudinho e Buchecha tem mães evangélicas, mas os dois ainda não aderiram à religião.

“Só acredito em Deus. E Ele tem sido muito bom com a gente”

Satisfeito com o que já conquistou:

“Comprei uma casa para minha mãe, outra para os meus tios e uma para mim”

Buchecha se casou há três meses com Rosana, que começou a namorar quando tinha apenas 15 anos.

“A gente tem que aproveitar o momento. Depois que conheci Rosana, me apaixonei e achei que não devia me envolver com mais ninguém”.

Rosana mantém o ciúme sob controle e ajuda a carreira do marido conversando com as fãs e organizando tudo na hora dos autógrafos. O casal comprou uma casa na Ilha do Governador, mas passa a maior parte do tem em São Gonçalo.

“Eu estou sempre viajando e os pais dela também moram no Salgueiro. Fico mais tranquilo se ela estiver lá.”

Claudinho e Buchecha tiveram que vencer alguns preconceitos para alcançar tamanho sucesso.

“Acho que o nosso segredo é que somos pessoas normais falando de coisas simples, que fazem parte do cotidiano de qualquer brasileiro”, diz Buchecha.

Eles se preparam para entrar em estúdio para gravar um novo disco.

“O repertorio já está pronto e em Novembro já estará nas lojas. Claro que a responsabilidade agora é maior. Nós não vamos mais ser a revelação do ano. E é mais difícil manter o sucesso. Vamos ter sempre que inventar uma nova coreografia ou um timbre de voz diferente. O sucesso é como o amor. No início é tudo ótimo, depois vem a rotina. E é isso que vamos ter que evitar”.

Matéria: Ana Gaio – Fotos: Cesar Alves / 1997

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