Deuses do funk

15:00


Seduzidos por fãs de todas as idades e classes, Marcinho, Bob Rum, D’Eddy, Suel e Amaro tem vida de símbolo sexual.


Há um ano, nenhuma vizinha dava bola para eles. Moysés Osmar da Silva era segurança da Telerj e Márcio André Nepomuceno Garcia fazia estampas em camisetas para um colégio de Duque de Caxias. Os dois ganhavam salário mínimo e viviam no sufoco. Foi como se tivessem acertado na Loto. As canções estouraram, a fama chegou e, hoje, além de serem os mais tocados nas principais rádios FMs, são considerados os símbolos sexuais de galeras da Zona Oeste à Zona Sul: Márcio André virou MC Marcinho e Moysés Osmar é o MC Bob Rum.

Agora, as vizinhas dão mole geral”, desdenha Marcinho.

Uma enquete informal do JB sobre os símbolos sexuais da galera funk ouviu 200 frequentadores de bailes de Nova Iguaçu, São Gonçalo, Leme e Barra da Tijuca, e confirmou o sucesso da dupla. O primeiríssimo lugar ficou com Bob Rum 68 votos. Em segundo, Marcinho, com 62; em terceiro, D’Eddy, com 32, em quarto, a dupla Suel e Amaro, com 21, em quinto Cidinho e Doca, com 10, e a partir daí outros menos votados.

O campeão Bob Rum, de 26 anos, deixa a mulherada doida. Considerado o mauricinho dos funkeiros por não usar briquinho, bermuda e boné, uniforme oficial das galeras, ele prefere o estilo mais discreto: jeans, tênis e colete. Magro, alto, moreno e com um quê de craque Bebeto, ele vive com pescoço e as mãos arranhados por causar ataques das fãs.

Mas esses atques muitas vezes acontecem dentro de seu próprio apartamento, no Catete. Ele é casado há seis anos com a ciumenta Sandra Castro e tem dois filhos, Lohan 2 anos, de Lohana, de 1.

“Os ataques de Sandra são de ciúme. Realmente não é fácil entender que quando chego em casa de madrugada, cansado com marcas de batom e todo arranhado, estou vindo do trabalho”, comenta o autor do Rap do Silva.

E foi justamente o assédio das fãs que levou o MC Marcinho a terminar um namoro de um ano com a estudante Shirley.

“Ela ficava muito bolada, não aceitava tanta mulher dando em cima”, lembra ele autor do Rap do Solitário, que desbancou o Raça Negra dos primeiros lugares das rádios. 

Parrudo, jeitão de Mike Tyson e voz anasalada, causa histeria em seus shows quando rebola até o chão, bem ao estilo Gretchen.

“Marcinho, você é muito gostoso, quero beijar a tua boca. Vem cá, deixa eu te apertar”, esgoelava-se a bela Ana Paula Caldeira, 15 anos, durante uma gravação do programa Furacão 2000.

Moradora do bairro Cancela Preta, em Padre Miguel, Zona Oeste, ela é uma das fãs que chegam a chorar nas apresentações de Marcinho.

O papa do funk e ídolo de todos os MCs, Romulo Costa, confirma o sucesso e conta que algumas meninas chegam a jogar joias, calcinhas e blusas para os ídolos enxugarem o suor e depois devolverem. Romulo, o criador da Furacão 2000, conta que o fenômeno dos MCs se alastra para a Zona Sul e ganha fãs quarentonas e de famílias ricas.

“Tem mulheres milionária que me puxam no carro durante os shows e pedem para dar um jeito de beijarem um MC”, entrega. 

Mas as Kamikazes são capazes de ir muito mais longe. O experiente Edmar Santana, o D’Eddy, que o diga. Aos 24 anos - há oito nessa aventura – ele já viveu de tudo: autógrafos nos seios, no bumbum, fila pra dar beijo na boca, proposta para casar com filha de fazendeiro, pedido de marmanjo para abraçar e beijar sua própria noiva, fugas cinematográficas das fãs e um tombo inesquecível no meio da plateia, que rasgou a sua roupa e ficou com seus sapatos.

“De três em três meses troco o numero do meu celular”, conte ele, autor do Rap do Pirão e ex-assistente administrativo e financeiro da Geotécnica.

Com seu jeito Michael Jackson de ser, até a apresentadora Xuxa se encantou com o elegante D’Eddy e o convidou para participar de sua turnê nacional do ano passado. Mas ele garante que não rolou nada durante as viagens.

“Minha estrela não brilha tanto assim”, lamentou.

Mas estrela que tem brilhado constantemente é a da dupla Suel e Amaro. Os dois são conhecidos como os rolos-compressores do funk, ou seja, estão saindo com as meninas mais lindas da cidade. Garotões — têm l8 anos, são solteiros e boa pinta — eles têm deixado muitos pais com dor-de-cabeça.

“Minha filha cismou com o Suel e quer que eu a leve a seus shows. É desagradável”, reclama Sueli Carvalho Tratanno, 50 anos, mãe de Cristiane, 17, que estuda na Faculdade da Cidade e mora no Leblon.

Briga das gravadoras

Não só as mulheres estão brigando pelos MCs, mas as gravadoras também. De acordo com o empresário da Furacão 2000, Romulo Costa, a Som Livre, a EMI, a Odeon e a Sony estão disputando o passe do Bob Rum e Marcinho,

“Os dois vão lançar os seus primeiros discos solo e quem contratá-los estará fazendo um negocio da China”, calcula Romulo.

Mas tudo se encaminha para que a Som Livre leve Bob Rum e Marcinho, assine contrato com a Sony, que já fechou negocio com os MCs Junior e Leonardo,

“Marcinho e Bob Rum devem embolsar R$10 mil cada um, suficiente para comprar um apartamento na Barra”, diz Romulo.

O MC D’Eddy está trabalhando seu primeiro CD solo pela gravadora Spotlight/Warner.

“Vou arrebentar, ninguém me segura mais”, avisa.


 Créditos: Sergio Pugliese / 1995


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