Eles comandam as “galeras” de São Gonçalo

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Cidade é celeiro de MCs, os mestres de cerimônia do funk, que saem do anonimato e levam seu ritmo para bailes em todo o país.



São Gonçalo se tornou um celeiro de MCs. Claudinho e Buchecha, DJ Marlboro, D’Eddy, Mister Mú e, Abdula são apenas alguns dos ídolos do funk na cidade, que exporta esse balanço para as rádios e bailes em todo o pais. Para quem não sabe, a sigla MC, importada do inglês master of cerimonies, quer dizer mestre de cerimonias, aquele que conduz a festa. E em São Gonçalo, mesmo com a recente proibição do Juizado de Menores da entrada de crianças e adolescentes nos bailes,. a festa funk não pára.

Para o DJ Marlboro, que nasceu no bairro de Venda da Cruz e hoje é uma autoridade em funk, o motivo desta verdadeira febre de MCs é o grande interesse pelo ritmo na cidade,

 “Em São Gonçalo, nove entre dez jovens gostam de funk. Agora está meio parado, pois o Juizado de Menores e a policia tem proibido a entrada de menores”, afirma Marlboro.

Revelação — A mais nova revelação é a dupla Claudinho, 21 e Buchecha, 20, há dois meses em primeiro lugar no Big Paradão da rádio RPC com o rap “Nosso Sonho”.

“Essa letra é um achado. É o melhor funk nacional que já ouvi. Eles são excelentes compositores”, elogia Marcelo Mansur, o Memê, produtor do Lulu Santos, que cogitou regravar a canção.


Os dois começaram a cantar juntos ha um ano nos festivais do Mauá, e em dos seus primeiros sucessos foi o Rap do Salgueiro. Com o refrão “Ressuscita São Gonçalo”, a musica era uma mensagem de otimismo para a cidade. A dupla agora se prepara para gravar um CD e não para de viajar pelo Brasil se apresentando em shows. No próximo domingo, eles estarão em um show de comemoração do Dia dos Pais na Concha Acústica de Niterói com o objetivo de arrecadar alimentos não perecíveis para orfanatos.

Ivan e Moderninho, empresários de Claudino e Buchecha, dizem precisar trocar o número do telefone celular de três em três meses, pois as fãs chegam ligar de madrugada.

“São os caras que mais fazem sucesso atualmente, a dupla em ascensão de São Gonçalo”, acrescenta Marlboro. 

Outro exemplo que comprova a fama da região é o MC D’Eddy, 25 anos, morador do município e autor do Rap Pirão, que há dez anos começava a lançar a campanha contra a violência nos bailes funk com os versos “Vem pro baile meu amigo com amor no coração”. A sigla MC, que há muito saiu da marginalidade e passou a significar dinheiro e fama instantâneos, se popularizou na cidade. O próprio D’Eddy e uma prova disso: comprou um carro Cordoba 95, telefone celular e um apartamento na Glória.


“Mas é só para relaxar, fazer uma bagunça. Minha base fica mesmo em São Gonçalo”, garante.

Mister Mú, autor da “Melô do Ricardão”, sucesso em 91, também de São Gonçalo e já tem seus trabalhos gravados pela Polygram. Abdula é outro funkeiro gonçalense bem-sucedido. Em 85, já era vocalista de uma das primeiras bandas de funk do Brasil, a Funk Firmeza, que durou pouco mais de um mês. Apos o fim da banda, Abdula foi persistente e continuou trabalhando. Já tem dois CDs gravados e prepara um CD independente de clássicos da MPB em versão funk melody. Seu ultimo sucesso, “Joguei com seu coração”, faz parte da trilha sonora da telenovela Malhação, da Rede Globo.

Abdula já gravou músicas com Lulu Santos, Paulo Ricardo e Fernanda Abreu, para quem compôs a faixa Sublime deusa funk.

“São Gonçalo é o grande berço dessa galera funk. A vida musical da cidade é muito forte, é a Copacabana de Niterói, com um barzinho de música ao viso em cada esquina. Deus jogou um bocado de músicos la, e eu sou um deles”, diz Abdula.

“São Gonçalo escuta de tudo. Começou com pagode, veio o funk, mas tem até banda de punk e trash metal. Tem muita gente para trocar figurinha”, acrescenta.

O romantismo tem a sua vez

MC D’Eddy credita o surgimento do funk melody a São Gonçalo.

“Jà conseguimos abolir a violência e chegar a esse estilo mais romântico. Em vez das brigas de turmas, contamos historinhas do cara que conhece a menina no baile, se apaixona, não dá certo, as vezes dá... Comecei pedindo para ir ao baile com amor no coração e deu no que deu”, brinca o MC. referindo-se á letra do “Rap do Pirão”.

Já Abdula associa o novo ritmo às influências do pagode que jã reinava na região antes do funk tomar conta. Buchecha, da dupla revelação do momento, começou na música atravez do pagode, até que Claudinho o levou para o caminho do funk. Só que nenhum deles estudou música seriamente. Segundo eles, as composições surgem naturalmente.

Influenciados ou não pelo pagode, os lideres do funk, hoje chamados de MCs, devem língua inglesa a origem da expressão. O termo veio da palavra emcee, em inglês, que surgiu por volta de 1930 e significa mestre de cerimônias, ou o “encarregado de comandar uma celebração”. Resumindo, emcee era aquele que pedia aplausos para aniversariantes durante bailes e anunciava a presença de convidados ilustres.

Quarenta anos depois, os bailes funk e soul tomaram conta de Nova lorque e a sigla começou a designar o assistente do DJ. Eles foram os primeiros a criar pequenos gritos de guerra, com rimas simples que se encaixavam no ritmo das músicas tocadas pelos DJs. Esses versos
evoluíram para o que hoje conhecemos como rap e hip hop.

A rivalidade entre grupos, ou contra a polícia, era uma constante nas letras dessas músicas, o que acabou gerando uma influencia nos nossos bailes, que tocavam músicas como as do Jack Matador e a Melô da escopeta. Hoje, na contramão da violência, as músicas já incorporam o humor e o romantismo.

O baile mais famoso da cidade é o do Tamoio Futebol Clube, na Avenida Presidente Kennedy, onde se apresenta o Furacão 2000. Ali, reúnem-se de 6 a 7 mil pessoas por sábado. Outro baile muito frequentado é o do Pacheco’s, na Rua Raul Veiga, no Pacheco, a cargo da equipe Duda’s.


Créditos: Judith Moraes Renzi – JB 1996


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