Festival de Funk Cidade Tiradentes

29/06/2010 | comentários: 1

FESTIVAL DE FUNK... tânanananã, tânanananã, é o que meu dispertador apitava me fazendo lembrar que em Cidade Tiradentes, bairro do extremo sul leste da capital paulista, se renderia à música e à dança do gênero mais tocado das periferias.

Parti em direção à zona leste. Peguei o bus em Itaquera, já embalada ao som de alguns funks compartilhados por celulares. Se estivéssemos na decada de 80, talvez veria microsystem nos ombros dos b-boys. No busão, é o funk que ouvimos em todos os celulares, fui reconhecendo algumas músicas sempre no solfejo do "tu-gu-dum-gu-plac" pra marcar a batida do tamborzão.
- Tamos perto do terminal velho de ônibus?, perguntei.

Mais que rápido, o garoto ao lado, de moletom Billaboing, respondeu que lá o trânsito tava lento porque a rua tava cheia. Dito e feito! Saltei do busão, passando por vários jovens, meninas dançavam “Gisele da favela” na rua, crianças circulando livremente. Avistei ao longe o palco da Red Bull Funk-se Tour, a subprefeitura em peso dando o salve e o voto de confiança! a galera fazendo o som, as picapes, e o dj Maguinho puxando o movimento durante oito horas. Barulhooo! Subi no morro para ver melhor, lotadão... Perguntei à garota ao meu lado se o Mc Miudico e o Mc Bomba já tinham entrado. São os garotos sensação que cantam o “professora dá um tempo”.

As letras positivas deste 3º Festival, a iniciativa da subprefeitura de Cidade Tiradentes, divulgada pelos blogs como o Funk de Raiz e por profissionais do funk, trazem em seu conteúdo exemplos aos que acreditam no potencial criativo deste gênero. Quem gosta de funk como eu sabe que o estigma de som violento e de conteúdo sexual está generalizando o movimento. Potencializar as ações educativas promovendo debates, rodas de funk, conversas sobre filmes e acima de tudo agregar os jovens e dar voz ao som, como Cidade Tiradentes, está mostrando, é sim acreditar no protagonismo juvenil.

Saber que Menor da Chapa rimou mais de vinte minutos com um dos MCs concorrentes e futuro ganhador é o que legitima ações como estas. Segundo Leandro HBL, que registrava todo o evento, o grupo de meninas como Mc Kika e Mc Thaah que disputavam a classificação, mandaram tão bem como os outros vinte e pouco jovens ali reunidos.

Saí satisfeita, cruzando diversas famílias prestigiando o festival.

Vontade de ver de novo! Vontade de que as comunidades periféricas possam livremente fazer circular manifestações de dança na rua, da música funk. Tô sabendo que o CD funk Permitidão pode ser adquirido no supermercado de lá a preço popular. Vou conferir depois canto pra vocês!

Créditos: Gabriela Carrasco - Educadora e articuladora do projeto Funk Conscientiza, que está mapeando grupos de funk da zona sul de São Paulo.(Contato: Twitter @gabrielapuntel)