“Rap” quer levar paz a bailes funk do Rio

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O gênero, que prega a harmonia com letras de conteúdo social e contrárias à violência, será a arma de um líder pioneiro.


Um dos pioneiros na apresentação de programas funk no radio, desde 1981, o produtor musical e comunicador Luiz Carlos Nascimento, conhecido como Garotinho Luiz Carlos, de 33 anos, defende a promoção peIa autoridade de uma campanha informativa para reduzir a violência entre as galeras de funk na cidade.  Ele acredita que — em vez de a policia simplesmente reprimir os bailes — só mesmo uma campanha, através dos meios de comunicação, será capaz de reverter a situação de conflito social no Rio.

Enquanto não vê nenhuma autoridade se levantar em favor desta sensibilização das galeras, Luiz Carlos prepara um evento para devolver aos bailes o prazer de dançar e admirar a dança — sentido original dos encontros funk, herança do Soul e do movimento Black Power. Com o 1º Festival Hammer de Dança Rap, previsto para o dia 08, Luiz Carlos espera implantar uma nova atração nos bailes, a partir do rap — irmão mais novo do funk — que ao contrario deste último prega a paz e harmonia através de letras de conteúdo social e contra a violência nos bailes.

Um dos mais criativos cantores de rap do Rio, MC (Mestre de Cerimonia) Sá, do conjunto Conexão Funk-Rap, também acredita na força do rap como elemento de reintegração das galeras funk.

“O rap canta a paz que os funkeiros começam a sentir falta’’, afirma MC Sá, um dos compositores do Rap da eternidade que apela a emoção de velhos funkeiros, citando nomes de gente querida nos morros morta em brigas de gangues.

A Força Funk herdou o espólio do Soul que perdeu espaço com a repressão ao movimento Black Rio, no final da década de 70 — lembra o DJ Marlboro (Fernando Luiz), que apresenta de segunda a sábado o programa Big Mix, especializado em funk e líder de audiência na Rádio FM 105, com 250 mil ouvintes por minuto.

Outro pioneiro, Luiz Carlos Nascimento acredita que a rivalidade entre as galeras funk tenha se acirrado há três anos, com a distribuição de prêmios em dinheiro nos bailes. Um dos introdutores do sistema, o empresário e DJ Rômulo Costa garante que a intenção foi oposta, com a criação de um quesito “comportamento”, nos festivais de galeras.

Só que do lado de fora do clube, depois do baile, não havia mais pontos para o comportamento.

O comunicador Luiz Carlos Nascimento se tornou uma espécie de pacificador das galeras, depois que distribuiu em dois anos 620 troféus – de tamanho exatamente igual – a cada galera que simplesmente fosse ao baile.

“Dei bailes em todas as comunidades pobres dessa cidade e posso garantir que não houve um só tiro naqueles encontros”, conta Luiz Carlos.

Ele agora está se unindo a equipe Live e ao grupo The New Projects, com dançarinos de fazer inveja a Nova lorque. Sob o lema “o baile é pra curtir e dançar”, Luiz Carlos vai enfrentar um desafio: devolver aos bailes o velho e saudável habito de balançar o esqueleto ao ritmo contagiante do funk ou de raps com alto teor de protesto.


Festivais evitam conflitos

Na tentativa de acabar com as brigas nos bailes funk, a equipe de som Furacão 2000 vem promovendo, há dois fins de semana, festivais entre as galeras. A vencedora precisa ser a melhor em diversos quesitos, como coreografia e animação. Ontem, as cores verde e amarela foram o tema do Baile Brasil, promovido das 15h às 20h, na quadra do grêmio carnavalesco Bohêmios de Irajá que reuniu cerca de 1500 pessoas, oriundas em sua maioria, dos morros da periferia, como Sapê, São Jose  Cajueiro.

Um dos artifícios encontrados pelos organizadores para unir os frequentadores foi tirar pontos das galeras cujos componentes forem flagrados brigando. Apesar do tema, as cores da bandeira do Brasil só foram visíveis nas faixas, já que a maioria dos funkeiros nào abriu mão das bermudas, camisetas e tênis em tonalidades extravagantes. O clima de paz foi garantido por 50 seguranças distribuídos dentro e fora da quadra. Eles cumpriram á risca a orientação do proprietário da Furação 2000, Rômulo Costa, colocando para fora os baderneiros. Das 17h30 às 18h30, quando o baile já estava praticamente lotado, três brigas foram reprimidas imediatamente.

Grávida de oito meses, Rosemeire Aparecida Fernandez, de 19 anos, disse não ter medo das brigas.

“Não fico por perto. Briga é normal”, comentou.

“Não sei explicar o motivo das brigas, mas elas acontecem de vez em quando”, disse Wagner de Oliveira Santos, de 18 anos.

O líder da galera de Vaz Lobo, Robson Souza Lima. 25 anos, acentuou que os funkeiros não deixam de ir à praia nesse fim de semana.

“Só não fomos aos locais que dá arrastão para provar que é o pessoal lá que faz isso”.
Rômulo Costa elogiou a atuação da policia.

“O que ela fez nas praias deveria fazer no final dos bailes, do lado de fora dos clubes, quando meia dúzia de baderneiros promovem tumultos. Do lado de dentro a gente contorna”.

Créditos: Matéria 1992 - JB

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