MC Marcinho celebra 25 anos de funk:

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"Sensação de gratidão que não cabe no meu peito"


Pioneiro do melody lança nova música, lembra momentos difíceis e diz que fãs pedem conselhos amorosos nas redes

                                               Mc Marcinho (Foto: Studio Faya/ Divulgação)

MC Marcinho está de volta. Com novo single de trabalho, "Sem Sentir Saudades", o pioneiro do funk melody e um dos nomes mais antigos do chamado funk carioca está comemorando 25 anos de carreira, com gostinho de dever cumprido - e sem planos de parar. "Quando olho para trás e vejo tudo que passei, chego a me emocionar", diz o cantor de 41 anos. "Mas sei que posso contribuir ainda muito mais", avisa.
Nascido em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, Marcio André Nepomuceno Garcia, nome de batismo do cantor, cresceu com a música dentro de casa, mas o ritmo de Francisco, seu pai, era outro. “Ele era compositor de bloco carnavalesco, fazia samba e pagode sendo analfabeto. Meu pai criava as melodias e um amigo dele  ia escrevendo”, lembra Marcinho. “Esses blocos para os quais ele escrevia se uniram e virou a escola samba Grande Rio”, conta ele, que nunca desfilou na agremiação devido à agenda lotada de shows no Carnaval.


Marcinho começou a carreira cedo, participando de um festival ainda adolescente. Aos 20 anos, ele lançou o álbum Porque Te Amo (1997), com MC Cacau, se firmando como uma força dentro do funk melody com hits como "Princesa" e" Rap da Solidão". Em 2001, veio o hino "Glamourosa", que até hoje faz muita gente dançar e cantar o refrão “Glamourosa, rainha do funk / Poderosa, olhar de diamantes”.


“Glamurosa eu fiz em homenagem à Xuxa, que sempre foi muito gentil comigo. O amor foi tanto que passou a ser um dos meus maiores hits”, conta ele, presença assídua nos programas da apresentadora nos anos 2000. “Não tinha como não prestar essa homenagem. 'Glamourosa' é como o 'Rap do Solitário', não pode faltar nos meus shows”, diz Marcinho, que tem sete CVDs e 2 DVDs e entre os lançamento mais recentes ressalta "Meio Rebolado", com Preta Gil.
Apesar do sucesso, assim como outros nomes do melody ele penou quando o estilo ficou um pouco esquecido nos anos 2000.  “Acabaram com o funk com letras, e eu tive que arrumar uma segunda opção de fonte de renda. Trabalhei na administração de um hospital nas horas vagas. Só que quando o pessoal me via trabalhando queria fazer fotos e acabei sendo demitido”, conta, sobre uma das duas vezes em que pensou em desistir da carreira.
A outra  foi em 2006, quando sofreu um grave acidente de carro, no qual quase perdeu a perna esquerda. “Achei que ia morrer, fui obrigado a parar de cantar. Fiquei internado por muito tempo, e sem andar mais de um ano”, lembra o funkeiro. A volta, tanto no aspecto emocional quanto no financeiro, foi dura. “Cheguei quase a passar necessidade por ter ficado parado tanto tempo. Foi um dos momentos mais difíceis que passei”, confessa.
“Hoje graças a Deus eu tenho uma agenda de shows bem legal, inclusive em casamentos de pessoas que se encontraram no meu show”, diz Marcinho, que com um repertório com muitas canções de amor dá até dicas para os fãs sobre o tema. “Nas minhas redes sociais sempre tem gente pedindo conselho. Eu sempre dou”, afirma ele, que acredita que o funk tem espaço para todos os estilos.


“O funk começou a ter várias vertentes e tem público para todos eles. Com as plataformas digitais você pode ouvir tudo. E se algo tem seu público merece todo respeito”, pondera ele sobre os chamados proibidões e outros funks considerados mais pesados que o melody. “Tenho grandes amigos que fazem parte desse movimento e tenho muito carinho e admiração por eles”, afirma Marcinho.
Ele garante que ouve de tudo um pouco. “Vou da MPB ao rock. Os funkeiros que estou sempre ouvindo são BuchechaCidinhaAnitta...Tem muita gente fazendo música boa aí. Não sei o nome seria herdeiros, mas vejo uma galera muito boa levantando nossa bandeira,  como PerllaLudmilla...”, explica o músico, que acredita que a nova geração estaria onde está mesmo sem veteranos como ele abrindo caminho.
“Com tudo que a minha galera passou, eu vejo que agora está bem melhor. As pessoas estão nos aceitando e nossa música passou a ser internacional. Fico feliz de poder fazer parte desse início”, afirma o funkeiro, que vive no Rio com a mulher, Kelly, e os quatro filhos: Mateus, de 20 anos, Marcelly, de 19; Marcelo, de 17; e Marcinho, de 12.


"Graças a Deus hoje podemos ter uma vida confortável. Posso oferecer todo o necessário para eles", diz Marcinho, que vê a filha seguir sua trajetória  investindo na carreira no pop/funk. "Marcelly está vindo para ficar, tem uma voz maravilhosa e muito talento. Desejo de coração que as pessoas conheçam seu talento", diz Marcinho, que sofreu quando a filha enfrentou uma depressão que a levou à automutilação. "Sem duvida foi um dos piores momentos da minha vida. Meus filhos são meu maior tesouro, vê-los passar por qualquer problema é muito ruim para mim. Eles sabem que vou estar sempre aqui para apoiá-los em qualquer das suas opções", diz Marcinho - hoje Marcelly está recuperada.
Assim como para a filha, o funkeiro dá conselhos para quem quer seguir o caminho da música. "Estudem, tenham foco e determinação. Cantar não é brincadeira, precisa se profissionalizar para chegar ao reconhecimento", diz ele, que, para 2019, prepara um DVD de aniversário e um novo CD e olha com tranquilidade para o passado. “A sensação é de orgulho. Consegui contribuir para um movimento muito importante como funk e poder virar uma referência me dá uma sensação de gratidão que não cabe no meu peito", garante o cantor.

CRÉDITOS: RAQUEL PINHEIRO / FOTOS: STUDIO FAYA/DIVULGAÇÃO 

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