Mano Teko

14/05/2009 | comentários: 5

Em 1991, aos 13 anos de idade, gostava de ouvir funk nas rádios, curtir bailes perto de sua casa e encontrou na musica a inspiração para escrever suas próprias letras.

Em 1994 conheceu Melvin, filho do DJ Corello, o “papa” do charme, que se identificou com suas letras. Despontaram no mercado fonográfico como a dupla de MC's Teco e Buzunga e fizeram sucesso por todo Brasil.

Anos depois, durante uma viagem, Buzunga sofreu um acidente de carro, acreditando que nada é por acaso. Desistiu de sua carreira e resolveu entrar de cabeça na religião e deixou o apelido de lado, hoje conhecido como Pastor Melvin.

Teko, sem o amigo, desanimou e também resolveu parar de cantar. Começou a cuidar da parte burocrática da carreira de alguns MC’s.

Mas quem é rei nunca perde a majestade e, sempre convidado, dá palinhas por onde passa, mesmo não se sentindo totalmente à vontade com aquela situação.

Eu sentia ali que não tinha como eu continuar. Eu e Buzunga dividíamos tudo e quando chegava a parte da musica que ele cantava eu não me sentia bem. Eu tinha preparo para continuar com tudo que vivi até aquele momento, mas sozinho não. Tipo assim, o time era com onze e eu estava jogando só com seis. Não conseguia ser feliz com aquela situação, talvez por ser precoce, mas não me sentia bem.”

Incentivado por palavras de carinho e apoio MC Claudinho (Buchecha) convidou Teko para gravar em seu estúdio pessoal, mas infelizmente a morte trágica do amigo, colocou uma pedra encima dos planos.

Ele foi a pessoa que me animou, e assim, quando estava tudo preparado pra voltar entre aspas, né? Porque tudo é uma longa caminhada... (relembrando palavras do Claudinho) “vai ser essa música, a gente vai produzir isso aqui” Começamos a correr atrás das pessoas para produção, aí aconteceu aquele acidente, ele voltando de Lorena, quer dizer... Botou uma pedra em cima daquele assunto. Até hoje eu tenho guardado as palavras dele ... eu tinha dado um passo ou uns passos mais à frente, mas tinha voltado à estaca zero de novo. Mas esse incentivo me valeu muito, pois voltei a escrever de novo, voltei a fazer coisas envolvido no estilo de funk.”

Em 2004 produziu várias canções, se entregou de corpo e alma à carreira solo e voltou mais consciente do que nunca. Hoje suas letras estão mais maduras, o MC vem falando de tudo sem cair na mesmice imposta pela mídia. Inventivo e livre ao elaborar suas canções e composições de grande riqueza rítmica e melódica, que mesclam a modernidade, como a tecnologia, aos elementos da cultura popular brasileira, sem deixar de cantar o amor e a amizade.

Mano Teko é um cara muito respeitado, um exímio compositor e dono de uma das mais belas vozes do funk, ele sabe de sua importância no movimento mas sempre lida com isso com os dois pés no chão.

Eu continuo sendo o Alexandre, eu em cima do palco sou o mesmo cara que está ali embaixo, tá ligado? Eu sou um ser humano, eu prefiro continuar dessa forma. No início eu fiz, por gostar mesmo de funk, por curtir funk, né? Gostar de escrever uma letra, de fazer... aí foi uma coisa, uma semente, foi crescendo, crescendo, daqui à pouco eu estava cantando, ouvindo a resposta do público... Hoje em dia eu sou viciado nessa coisa de está encima do palco. Fora do palco eu sou tímido, eu não consigo canta aqui pra vocês, mas encima do palco eu consigo cantar, apresentar ... Eu fui crescendo com isso, eu fui aprendendo muita coisa, fiz boas amizades, eu fiz verdadeiras amizades, melhor dizendo. No início foi uma escola, foi um aprendizado e hoje o funk pra mim é... além de ser uma continuação do que eu gosto é um momento muito especial por tudo que já vivi e vivo. Aprendi muitas coisas da vida com o funk, eu amadureci com o funk!”

A sua contribuição no funk foi muito além de suas canções e apresentações. Hoje ele é vice-presidente da APAFUNK, está envolvido em causas políticas e sociais e junto a MC Leonardo e tem criado espaços alternativos a todos aqueles que tem o que dizer em suas letras, porém não tem lugar na mídia para falar. Mano Teko dá continuidade à sua carreira mostrando que ser FUNKEIRO é muito mais do que muitos imaginam ou julgam.

E, para finalizar, Teko fala dessa “polêmica” sobre os MC’s não cantarem Rap:

Pra mim é um estilo. O Rap do funk é Rap, mas a origem toda é do hip hop. O funk no início era, na maioria das vezes, consciente. Hoje em dia, é que a parada desandou um pouco né? Ficou um pouco perdido, então pra você escutar Rap, hoje, é difícil. Na minha época os manos faziam com essa conotação, depois vieram sátiras e outros falando de amor, agora acabou se perdendo com as montagens.”

Sou mais meu time (Musica de trabalho)

http://www.4shared.com/file/92393627/e8c4bcd5/MANO_TEKO_-_Sou_mais_meu_TIME.html

Tempo Quente:

http://www.4shared.com/file/77306945/26b09294/MANO_TEKO_-_Tempo_Quente.html


Créditos - Texto: Claudia Duarcha / Foto: Mano Teko