Márcio G

24/09/2008 | comentários: 12


O funk é conhecido pela alegria que leva às pessoas, pela conscientização dos jovens e por falar de amor. Mas como em toda história, o funk também tem seus momentos de tristeza. Um deles está próximo de completar cinco anos.

Quem não lembra dos versos de "A distância", "Deitados na areia" ou "Atrevida". Músicas que fizeram muito sucesso nos anos 90, nas vozes da dupla de MC's Márcio e Goró.

Uma parceria que foi desfeita em mais um caso de negligência do nosso governo, que se recusa em preparar seus jovens para o mercado de trabalho e os deixam à mercê da própria sorte.E nesta história não foi diferente.

Nasce e cresce no subúrbio do Rio de Janeiro, um jovem que tem como principal "arma', para enfrentar as batalhas que a vida lhe reserva, um dom dado por Deus: compor. E foi com este dom, ao lado de um velho amigo de infância, que esse menino conheceu um movimento musical que estava de portas abertas para todos aqueles que, com consciência, resolveram falar de seus sentimentos e idéias.

Eles cresceram, fizeram sucesso, ganharam fama, dinheiro, só que o que eles não esperavam é que um dia aquilo poderia ter um fim. E infelizmente aconteceu.

Carros importados, dinheiro, fama e mulheres, vieram e se foram com a mesma rapidez, causando angústia naquele garoto que não tinha estrutura cultural nem emocional para isso. Pronto! O desespero toma conta de sua vida e sem acreditar que, para tudo, Deus tem uma solução, no auge de sua depressão, em um momento de fúria, ele resolve acabar com aquilo que mais lhe incomodava: A PRÓPRIA VIDA. E, com um tiro na cabeça, despediu-se de nós o talentoso Mc Goró.

E o Marcio por onde anda?
Isto e muito mais é o que pode ser conferido nesta entrevista.

Por que Marcio G.?
Resolvi prestar essa homenagem ao meu eterno parceiro Mc Goró.

Tanto tempo de ausência do seu parceiro, como você se sente hoje?
Não tão bem, mas um pouco mais conformado.

"A DISTÂNCIA" (música de grande sucesso da dupla) hoje ainda é uma das mais tocadas na noite carioca, a que você atribui esse sucesso depois de tantos anos?
Eu acho que é porque além de ter marcado a história do próprio funk, ela também faz parte da trilha sonora de muitas pessoas, que hoje matam a saudade daquilo que geralmente a gente chama de "uma época que não volta nunca mais".



Em que você acha que a dupla Mácio e Goró contribuiu para o movimento funk e seus admiradores?
Acho que na alegria e nas mensagens de paz e conscientização. O que automaticamente refletiu de forma positiva na imagem do funk.

Você tem contrato assinado com alguma gravadora?
Não, por enquanto não.

A pirataria atrapalha muito na negociação do artista com a gravadora?
Sim, e muito. Ela é a principal culpada por muitos artistas hoje não terem uma gravadora. Talvez, se os órgãos competentes fossem mais enérgicos nas suas fiscalizações e punições, as coisas não estariam deste jeito.

O funk voltou a fazer muito sucesso, mas os mais tocados são aqueles que chamamos de "funk antigo". O que você acha disso?
Eu sei que podem achar até radical da minha parte, mas eu sou da antiga e acho que isso nada mais é do que um reflexo desse funk sem qualidade que a galera que tá chegando agora faz. Eles falam muito de pornografia, fazem apologia a isso ou àquilo, e esquecem da essência do funk, que é falar de forma consciente sobre diversão, política ou até mesmo amor.

Com o "funk antigo" em alta, você acha que se o Goró estivesse vivo as coisas seriam diferentes para você?
Com certeza. Posso dizer inclusive, com muita humildade, que seríamos uns dos artistas mais solicitados do mercado. A julgar pelo retrospecto de sucesso de nossas músicas.

Por que você acha que o Goró se matou?
Durante muito tempo eu me perguntei isso. Só consegui achar uma resposta para me conformar: falta da direção de Deus. Penso que se ele tivesse entregado os problemas dele na mão de Deus, como eu fiz, nada disso teria acontecido.

Este novo "BUM" do funk abriu portas jamais imaginadas. Você acha que isso é só modismo?
Não. Eu acho que o funk já passou pela fase do modismo. O que nós estamos tendo agora é o reconhecimento da mídia e da sociedade, de um movimento musical criado pelo povo da favela.

Sempre que uma dupla se desfaz, surgem boatos de uma substituição.Você pensou em algum momento substituir o MC Goró?
Não, em momento algum. (Responde seco, sem deixar margens para dúvidas sobre esta questão).

Com carreira solo e de nome novo, quais são os projetos do Marcio G para o futuro?
Assinar com uma gravadora, gravar um CD ao vivo e ver minhas músicas novamente tocando nas rádios de todo o país.

Creditos Texto e Foto Marcio G: Revista Exito Friweb - Crédito Foto Márcio & Goró: Claudia Duarcha

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