O Bad Boy do Funk Gonçalense

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“Lavem o negão cheio de paixão” O refrão do pagode parece que foi feito para Abdula (nome de origem muçulmana que significa escravo de Deus), um gonçalense, morador do Fonseca, que está lançando o seu segundo disco “Depende de nós”. Aguinado Figueiredo – seu verdadeiro nome – solta o gogó em 14 faixas e infelizmente não mostra toda a sensualidade e virilidade que fizeram meninas espalhadas por todo país desejarem ser possuídas pelo virginiano de 28 anos, 1,75 e 78 kg.

Seu novo trabalho já desponta nas rádios com a melo “Vem me ver”.

“Essa música é funk e melody, mas o disco também tem muito charme”, revela Abdula.
O primeiro LP “Sonho Secreto” foi lançado em 1991 pela Polygram e vendeu cerca de 50 mil copias. Apesar do pouco trabalho, o disco rendeu mais de dois anos de shows.

“Fui até uma cidadezinha chamada Cruzília e o prefeito me levou para jantar na casa dele depois do show.  Sai em três páginas no jornal de lá”

Pesadão, com cabelo meia cuia, Abdula passa tranquilamente por um daqueles negros americanos bem vestidos e modernos. A fama de importado talvez venha da canção “Your Love” que ele gravou em 89 para o LP “Funk Brasil” produzido pelo Midas do Funk DJ Marlboro.

“Tenho estampa de negão americano mesmo. Existe fã clube na Bahia que até hoje não descobriu eu sou brasileiro. Já escrevi em português e eles respondem elogiando ao tradutor.”

O estilo Black Music reúne balada funk, melody e charme, por onde Abdula passeia sem cerimonia. A música “Joguei com seu coração” (Humberto Mello e Abdula) está em Malhação e já dá para sacar que será sucesso nas rádios.

Abdula detém o título de “gogó de ouro”.

“Foi o publico que deu, porque pediam pra eu cantar só na capela”

Simpatizante do movimento desde que conheceu Stevie B, o cantor diz ter descoberto  existência de Deus com  essa filosofia:

“Deus é responsável por eu ser o que sou. Por essas pessoas chorando na plateia. Deus as tocou através da minha voz”

Aos 12 anos o então Aguinaldo entrou para um coral, depois formou o próprio grupo vocal e aos 16 anos pegou “brabo” no batente.

“Fui datilografo, operador de computador, office boy e despachante de carga aérea. Uma vez quase fui encaixotado dentro de um container. Fiquei bem quieto lá dentro até que comecei a bater e abriram”, lembra Abdula, que também foi locutor na rádio Fluminense AM.

“Tinha um programa de funk nos finais de semana produzido e dirigido por Paulo Khalil”.

Na perseguição pelo sucesso durante dois anos, Abdula cantou na noite.

“Foi quando comecei a ver a musica como0 forma de me manter e progredir na vida. Me apresentei no Catumbi Imn e Ponto 330 no Méier”

De lá pra cá muita coisa mudou e o funkeiro já se apresentou para 19 mil pessoas no Ceará.
O DJ Marlboro nunca joga para perder e aposta na carreira de Abdula, até rasga maior seda em cima do produtor.

“Ele é determinado, um ótimo amigo desde os tempos que eu fazia bailes em São Gonçalo”
Latino é fruto da competência de Marlboro que transformou o rapaz de bigodinho, que canta com o quadril, em fenômeno de publico e vendagem.

“A gente recebeu uma fita da Sony com musicas para a performance do Latino, mas a gravadora deixou claro que eu poderia observar algumas composições”

O CD “Depende de nós” traz uma cação do Bem Jor, uma das preferencias do gonçalense e conta com uma musica de Humberto Mello feito em parceria com Fausto Fawcett.

“Fiquei de compor umas músicas com a Fernanda Abreu, mas não rolou”.

Amigos Amigos, negócios a parte, latino que é bom nem aparece no disco.

“Ele é um ídolo, mas um boneco plastificado. Para os adolescente é um ursinho de pelúcia e eu sou o contrário. Tenho agressividade no corpo, na dança e na voz. Latino é um mauricinho, eu sou um bad boy. Seguro uma masculinidade exagerada. Certa vez uma garota me falou que como dançarino eu era uma ótimo lutador”, lembra Abdula que fez musculação e é faixa preta de Tae Kon do”

Uma de suas musicas mais requisitadas Melo d Mulher feia, cuja letra diz “Mulher feia cheira mal como urubu”. O “charmeiro” costuma canta em media oito canções por show.

“Geralmente é playback, mas eu sempre dou uma canja pro pessoal”

O cara é danado mesmo, Abdula fez backing vocal Latino, Paulo Ricardo, Lulu santos e o grupo de charme Fansine. Abdula adotou o look criado pelo estilista Billy e copiou o corte de cabelo dos jogadores de basquete americano.

“Latino é um bom menino e eu sou o Mike Tyson”.

Por falar em América, o Magic Johnson fake já recebeu duas propostas para cantar nos Estados Unidos com repertório baseado em MPB. O publico de São Gonçalo conhece o performático Abdula de um espetáculo que ele fez na Hollywood Disco Club.

“Fiz um show totalmente demais. Aliás, tô chegando num ponto que nem posso mais nadar nas ruas, todo mundo me reconhece”

Créditos :  Luís Fenando Dias  -  2º Caderno do Jornal O Fluminense/1995

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