Do Movimento Funk é Cultura para a Esquerda

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A origem do funk, assim como a de outras manifestações culturais negras, veio de um processo chamado “diáspora africana”, pelo qual, devido à escravidão, os negros se espalharam pelo mundo ocidental, levando consigo suas batucadas. Viva, a cultura negra se desenvolveu nos respectivos países, dando origem ao blues, capoeira, samba, hip hop, entre outras manifestações. Em Miami, surge o ritmo chamado “Miami Bass”, com um forte grave. Essa música foi trazida ao Brasil e passou a ser tocada nos “Bailes Black” do Rio de Janeiro.

Com a chegada do Miami Bass no Rio, montagens começaram a ser feitas por DJ’s cariocas e tocadas em festas freqüentadas pelos jovens de favelas e periferias. Em pouco tempo, letras em português começaram a ser compostas, ainda sob a melodia e batida dos irmãos negros do norte da América. No decorrer da história, melodia, dança e batida foram se abrasileirando, baseados nas marchinhas, sambas, forrós, frevos e batuques brasileiros. As letras cariocas exaltavam o lado bom das favelas, pediam paz e falavam de amor.

Nesse contexto surgiram os festivais, que começaram a lançar novos MC’s e construir verdadeiros hinos do funk. Centenas de funks surgiram falando de amor ou da realidade da favela, pedindo a união dos favelados, criticando a violência policial e a desigualdade social.

Ainda na década de 90, manifestação de uma cidade violenta, alguns bailes funk começaram a ser divididos em “Lado A” e “Lado B”, com um corredor no meio, onde a briga era feia. Muita violência ocorreu nesta época, como manifestação num fenômeno de massas de um problema social pertencente à realidade brasileira. Numa mobilização própria, os funkeiros começaram a exaltar a paz e pedir que as brigas nos bailes parassem. Com pouco tempo, os “bailes de corredor” acabaram. No entanto, a mídia e os governos chegaram atrasados e começaram a fazer estardalhaço sobre um problema que já havia sido resolvido.

No Governo Marcelo Alencar, os alvarás de todos os clubes onde ocorriam os bailes na cidade foram cassados. O funk foi guetizado dentro das favelas. No final dos anos 90, o funk praticamente para de tocar nas “grandes rádios”. Quando volta, em torno de 99/2000, o que se ouve é bem diferente do que era tocado no passado.

Letras conscientes, apesar de continuarem sendo feitas com qualidade inquestionável, são ignoradas pelo mercado fonográfico e dão espaço a letras erotizadas ou “proibidões” lights (funks baseados em proibidões, mas em versões tocáveis nas rádios, diferentes das tocadas nas favelas em geral). Os MC’s que acabaram com as brigas e que relatavam a realidade dos morros cariocas são limados do mercado. Em seu lugar, entram os MC’s “descartáveis”, aqueles que fazem sucesso por cerca de 6 meses e são esquecidos com obras artísticas que nada mais são do que manifestação das contradições sociais vividas hoje (lembre-se que o mercado pornográfico é o que mais cresce no mundo; ora, como exigir do funk que não manifeste aquilo que está em toda parte – bancas de jornais, samba, forró, axé music, televisão etc).

De lá para cá, muito preconceito se concretizou, graças a um forte trabalho da mídia, uma censura de mercado e um discurso oficial que aprofunda a associação entre o crime e o gênero musical. Coincidência ou não, os dois empresários do funk que passaram a dominar o mercado do gênero são exatamente os que fazem campanha dos governantes que comandam a política de segurança criminalizante (fizeram a campanha de Sérgio Cabral, por exemplo) e ainda tocam o funk “putaria” ou o “proibidão light”. Seus bailes, ao contrário dos demais bailes na cidade, continuam ocorrendo sem problemas com a polícia e seus negócios vão de vento em popa. MC’s responsáveis pela história do funk como Galo, Dolores, Júnior e Leonardo, Teko, Pìngo, entre tantos outros, são limados das rádios com frases do tipo “não está na hora de falar mal das elites”. E nesse processo, descobrem que os são superexplorados, com contratos de cessão de fonograma abusivos e vitalícios, não existentes em nenhum outro ramo da música, em que cedem quase a totalidade de seus direitos para os magnatas do funk.

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Créditos: Guilherme Pimentel - Site Zequinha Barreto

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