Baile dos Tabajaras

03/09/2010 | comentários: 0
Guilherme Pimentel na CDD

2ª Conquista do Funk

Articuladas pelo Marcelo Freixo e acompanhadas por seu Mandato, as reuniões com MP, Secretaria de Segurança, Secretaria de Cultura, Comando Geral das UPPs, APAFunk e equipes de som, já geraram resultado.

A oportunidade de reabrir o Baile do Tabajaras ocorreu no contexto de união entre Associação de Moradores, Escola de Samba Vila Rica e Equipe de Som Dudas para a reabertura do evento, proibido desde a chegada da UPP na comunidade. Eram militantes da cultura que queriam garantir suas atividades. A equipe de som precisava trabalhar. A Associação de Moradores defendia o anseio da comunidade: os jovens queriam se divertir com funk a preços baixos e os mais velhos não queriam seus filhos na madruga longe de casa. Os comerciantes, moto-taxis e ambulantes andam na correria pra conseguir viver melhor e a proibição do baile só prejudicou eles. Além disso, a escola de samba precisava de dinheiro para pagar o carnaval, e sabia que esse dinheiro só podia vir do baile funk semanal. Tiraram documentos, pagaram dívidas, regularizaram o espaço. Mas o baile continuava sendo proibido. Ou seja, lá a proibição era gritantemente ilegal sob todos os aspectos e o povo tava unido em prol do resgate ao baile funk. Por isso, a questão foi levada para a reunião como prioridade.

O comando da UPP quis ouvir a comunidade. Fomos à reunião na quadra da escola de samba Vila Rica há cerca de 3 semanas. Houve votação após fala do comando e do MC Leonardo. O resultado foi mais de 90% a favor do baile. Senhoras idosas queriam o baile. Mães de família, pais, sambistas, comerciantes. Saiu nos jornais que a UPP iria promover o baile, o que não procede. Não importa, o que importa é que o baile voltaria. E voltaria aos sábados.

Com a publicação nos jornais da volta do baile funk, o capitão Sena passou a ser uma testemunha do funk. Na véspera do baile, ele nos disse: "no sábado passado, recebi muitas reclamações do som do baile e tinha que ficar explicando que o baile era só no sábado que vem". Ou seja, todo e qualquer barulho que os moradores de Copa ouviam, ligavam pra dizer que era o baile. Esse foi um episódio cômico e muito importante para desmistificar as reclamações contra os bailes funk. Leonardo respondeu pro capitão: "Bem-vindo ao funk!".

No sábado, cheguei na base do morrão e fui pegar o moto-taxi. Os pilotos me perguntaram quem era o candidato do adesivo que eu tava no peito. Eu disse que era o cara que tinha intermediado as negociações pela volta do baile. Todos os que estavam ali pediram material pra ler e encheram o tanque de suas motos com adesivos do Marcelo. E disseram que eles também têm reivindicações importantes.

Cheguei na quadra e encontrei os parceiros. Conforme o baile foi começando e enchendo, aquilo foi se tornando uma noite histórica para o Rio de Janeiro. Cabral não deu mole: já previa isso e mandou equipe de filmagem profissional pra pegar falas, depoimentos de pessoas que estavam na área. Quando o Marcelo chegou, a artificialidade de Cabral contrastava com a nossa militância: éramos 10 a 15 panfletando seu material de campanha por ideal, com uma proposta política de luta pro Rio de Janeiro, que aceita o desafio proposto pelo funk. Em meio a nossa dura e linda batalha pela continuidade do projeto Mandato Marcelo Freixo, um baile funk aconteceu. Não foi qualquer baile funk. Foi a lei que aprovamos há apenas um ano surtindo efeito real, não só no acontecimento do baile, mas também, em certa medida, na concretização da aposta que fizemos no papel histórico que o funk pode cumprir: linguagem coletiva favelada em tempos da ditadura das mídias.

Na primeira roda de funk em área de UPP, com a presença do Comandante Geral das UPPs, MC's Junior e Leonardo iniciaram o show: "Poderíamos abrir esse show com muitas músicas da gente, como Rap das Armas, Endereço dos Bailes, Tá Tudo Errado, mas a música que mais tem a ver com esse momento que estamos passando hoje é essa aqui ó... Ô, não me bate doutor porque eu sou de batalha! Eu acho que o senhor está cometendo uma falha. Se dançamos funk, é porque somos funkeiros das favelas cariocas, flamenguistas, brasileiros...". Era a música do trabalhador funkeiro que reage à violência policial, "Não Me Bate Doutor" (veja o vídeo: Funk bomba no Tabajaras ). Fez o show e temrinou com "Tá Tudo Errado".

Depois dele veio o MC Martinho, com a consciencia estampada em seus funks, primeiro lugare em todas as rádios de funk com várias de suas músicas, raps de realidade comunitária e questões sociais, desmentindo o clássico argumento empresarial que diz que "o povo só quer putaria".

Para finalizar, MC Mano Teko fechou o baile na moral!


Mais antiga que o próprio funk carioca, criada nos bailes black de décadas atrás, a equipe que estava no comando era a Dudas, uma das responsáveis pelo estouro dos bailes no Rio de Janeiro. Era uma equipe cuja história se confundia com a história do funk e, especificamente, com parte da história do baile daquele mesmo local: Vila Rica, Tabajaras.

No Tabajaras, não só o funk teve voz. A comunidade policiada pela UPP também teve voz através do baile funk. As vozes se confundiram, se reencontraram na dimensão coletiva e política. As pessoas gostaram, curtiram, dançaram, sairam quando o som foi desligado. Sairam sabendo que sábado que vem tem mais e que terão aquele espaço a cada sábado. Um baile com a cara, os banners, as falas, os shows, a linguagem e a galera da APAFunk. Funk é Cultura e direito não se mendiga.

Isso não só foi entendido, como foi a realidade do baile. “A iniciativa (do baile do Tabajaras) é da Apafunk e o papel da polícia é não intervir”, disse o capitão da UPP local, Senna: http://bit.ly/bynTBC . Essa relação polícia-comunidade é a que defendemos na nossa política.

A imprensa toda acompanhou. A repercussão foi boa. Um repórter do Extra relatou que vai a áreas de UPPs quase todos os dias e que sabe o quanto que os moradores queriam o baile. Foi muito comentado no twitter, inclusive por muita gente boa do funk e da música em geral. Houve comentários da presença da "vanguarda do PSOL". O Baile foi capa não só do jornal Extra, mas até do Meia Hora!!

Agora, amigo, depois que passa boi, passa boiada! Vâmo com tudo pra abrir os demais bailes! O projeto Mandato Marcelo Freixo é importante para os projetos do Funk, da Favela e do Rio. Por essas e outras, "precisamos dele eleito, 50123 é Freixo!"

Abaixo envio as matérias que sairam quase em tempo real no Extra e, em anexo, do Extra de segunda.

Vâmo que vâmo! Dia 1° de setembro, amanhã, teremos duas conquistas a comemorar. E uma próxima conquista nos agurada!


Crédito: Foto nº 1 Claudia Duarcha

Crédito Texto: Guilherme Pimentel / Foto nº2 DPQ

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