Gerson King

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Em um prédio em Madureira, bairro onde viveu sua vida quase inteira, Gerson King Combo abre a porta do apartamento com o figurino que celebrizou: terno de cores extravagantes, chapéu, correntes e um anel com as iniciais KC.

Prestes a completar 66 anos, dia 30 de novembro, o cantor, conhecido como o Rei do Soul Brasileiro, comemora a retomada de sua carreira. E faz show sábado (24) no Estrela da Lapa com sua atual banda, Supergroove. "Descobri que sou famoso e estou na moda, nem fazia ideia", brinca ele. "Por causa do hip hop, os jovens me cultuam. Fui o primeiro a gravar músicas faladas aqui no Brasil, conheci nas minhas viagens ao estrangeiro."

Viagens de quando cantava na banda de Wilson Simonal, então um dos artistas mais populares do Brasil. Gerson começou fazendo dublagens no programa Hoje é Dia de Rock, de Jair de Taumaturgo. Foi coreógrafo do programa Jovem Guarda, com Roberto, Erasmo Carlos e Wanderléa. Desses tempos, vem a amizade com o Rei, Erasmo e Jorge Ben Jor.

Ajudou a fundar a Banda Black Rio. Quando se lançou solo, lotava shows nos bailes de black music no subúrbio. "Usava a roupa e o andar dos negões americanos, os cafetões de lá", conta."Fui gostar de black music por influência do meu irmão, Getúlio Cortes, autor de Negro Gato. Ele era muito americanizado, dançava rock, twist. Nosso pai, policial, não queria que a gente se misturasse com o pessoal do samba, que era muito marginalizado, como é o funk hoje".

Com a morte da segunda mulher, em 1990, King Combo parou. Só voltou em 1998, redescoberto por Regina Casé. E não parou mais: em 2001, lançou o CD Mensageiro da Paz e faz shows pelo Brasil. "Meu público é jovem e não tem cor. Sempre cantei a igualdade", diz ele. Sucesso também com as mulheres: "Ontem estava com quatro 'amigas' no messenger. Pensei: 'Não estou com essa bola toda'", ri.

Comemorando 50 anos de carreira, lança em 2010 um CD/DVD e o documentário ¿Viva Black Music¿, de David Abadia, com depoimentos de Marcelo D2, Alcione e Mr. Catra. Mês que vem, recebe a Ordem do Mérito Cultural do Presidente Lula.

Mesmo com o reconhecimento, Gerson não vive só da música: trabalha há 21 anos na Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência: "É uma experiência! Eles me adoram".

Créditos: O Dia

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