Funk Carioca: Crime ou Cultura?

15:16

O retorno dos recalcados:



Sejam invisíveis ou hiper vistos pela sociedade, fato é que negros, pobres e favelados sempre estiveram à margem de seus direitos. Alguns relatórios de 1865 já citavam a existência de barracões construídos em morros do Rio, mas o "marco inaugural seria o Morro da Providencia, onde surgiu o "morro Favela", que, por sua vez, teria transmitido o nome às demais opucpações com as mesmas caracterísiticas. Daí o ano de 1897 ser reconhecido como um marco que situa uma forma específica de ocupação dos morros cariocas. [...] Tal período, na verdade, assinala também o momento em que essas formas de habitação começam a ser percebidas como um problema higiencio, estético e populacional pelas autoridades e grupos domninantes do Rio de Janeiro".

E 1897 foi mesmo um marco, quando o cabeça-de-porco, maior cortiço do Rio, acabou sendo demolido. A maior parte de seus moradores teria se mudado para o Morro da Providencia. Com o fim de cortiços e casas de comodo na gestão do Prefeito Pereira Passo (1902-1906), a unica alternativa habitacional para os cidadãos pobres passou a ser, mais que nunca, as favelas.

A partir daí surgiu o conceito de desordem urbana e social relacionado à periferia. Seus moradores eram sempre identificados como "capoeiras, ladrões, meretrizes de baixa classe e assassinos". Não demorou até que o governo ficasse mais reacionário e iniciasse uma "cruzada higienica", alegando serem os morros focos de doenças e um risco à saúde pública.

A idéia de que um lugar sujo e infecto, como eram consideradas as favelas, pudesse produzir arte era algo inconcebível. Mas, a partir dos anos 1920, um grupo de artistas da elite subiu os morros e apresentou aos moradores uma pioneira chance de redenção social. O primeiro olhar intelectual sobre as favelas partiu da Semana de Arte Moderna de 1922. Ícones do modernismo, como os pintores Di Cavalcanti e Tarsila do Amaral, incorporaram a estética do morro à suas obras e a reconheceram como símbolo da cultura genuínamente nacional. Isso em plena época em que capoeiristas e sambistas eram extremamente demonizados pela imprensa e pelos setores conservadores.

Nas décadas de 1950 e 60 os filhos da elite que integravam a bossa nova e o cinema novo também flertaram com a arte do morro.

"Antigamente era proibido batuque, lundu. Depois a Revolução de 1930, Getulio vargas descriminalizou a capoeira, o candomblé. E Getúlio é demonizado e criminalizado até hoje um pouco por isso. Então o FUNK, olhando em longo prazo, é um pouco a história do "retorno do recalcado". O mesmo que aconteceu com a capoeira e com o samba acontece agora com o FUNK. E quem sempre tenta defender essas manifestações culturais populares, também é criminalizado.

O Governo do Brizola era o que? "Defensor de bandido". Por quê? Porque defendia o funk. E funkeiro é "bandido", né?, ironiza Vera Malaguti.

"Eu sempre ouvi falar num "retorno dos recalcados". Então é só a gente esperar. Mais cedo ou mais tarde", complementa Nilo Batista.

Créditos: Funk Carioca: Crime ou Cultura?

Autora: Janaina Medeiros

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3 comentários

  1. Li e simplesmente adorei!
    Quero muito comprar, onde consigo?

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  2. Oi! Obrigada por visitar o site.
    Eu comprei no site do submarino.
    Abraços

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  3. Esse livro é muito bom, tive o przer de compra-lo no site da editora, ele toruxe alguma informações que eu não sabia, o texto e agil, gosotoso, fácil de ler, a unica coisa que naõ é boa no livro e que da mesma forma que o livro Batidaõ uma história do funk que eu ganhei e coprei de presente, ele vicia e no auge do prazer o livro acaba e vc ficar com gostinho de quero mais.

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