Festa leva para a Rocinha DJs do baile charme de Madureira

16/03/2012 | comentários: 0
Equipe que comanda as picapes do badalado baile charme do Viaduto Negrão de Lima, na Zona Norte, estreia festa dedicada à cultura negra na Rocinha
POR LEANDRO SOUTO MAIOR

Rio - A rapaziada esperta que pilota as carrapetas no lendário baile charme do Viaduto Negrão de Lima, que acontece há 22 anos em Madureira, atravessa o Túnel Rebouças neste sábado e ocupa a pacificada Rocinha. A batucada do samba e o requebrado das mulatas na quadra da escola Acadêmicos da Rocinha, em São Conrado, dá lugar ao suingue da música negra e aos passinhos coreografados na estreia da festa ‘Soul + Black’.

No comando das picapes, DJ Corello, inventor do termo ‘charme’ na década de 80 e ícone das festas do Viaduto de Madureira. “O nome ‘charme’ surgiu porque era muito difícil para a galera pronunciar ‘rhythm ‘n’ blues’. O gênero sempre teve seu gueto na Zona Norte. Agora a Zona Sul, que consome moda, parece que anda meio cansada de música eletrônica. Tomara que não seja só um modismo, quero plantar uma semente, para que surjam mais festas de rhythm ‘n’ blues”, torce Corello.

Simone Criolla, Ana Paula Pimentel e Mariana Villanova: dançarinas dão o clima black na festa | Foto: Felipe O'Neill / Agência O Dia


Ele vai levar à Rocinha seu time dos sonhos: os DJs Guto e R!Jay, residentes do baile de Madureira, e convida Nepal, requisitado DJ de soul da nova geração. Tão importante quanto o som, a dança e o figurino completam o astral das noites de charme. Portanto, além da discotecagem, o clima deste baile de subúrbio aos pés da Rocinha é garantido também por belas mulheres negras e suas cabeleiras afro, que vão desfilar no meio da galera e se esbaldar na pista.

“Tem os passinhos coreografados, mas também pode dançar sozinho, desde que seja com charme!”, define Simone Criolla, estudante de Administração e produtora responsável pela seleção do elenco de modelos e dançarinas.

A ‘Soul + Black’ já está com sua segunda edição agendada para 14 de abril. “A ideia é fazer uma vez por mês”, garante Jerônimo Machado, produtor de artistas como Fernanda Abreu e também o responsável pela festa. “Com o advento das UPPs, pensei em inserir em uma comunidade a proposta do baile black, que frequento faz tempo, e levar diversão à comunidade que ficou carente dos bailes funk, para não ficar aquela história do traficante que saiu e nada mais acontece. Distribuí 400 ingressos para o pessoal da Rocinha e mais 400 para a galera lá de Madureira”, conta Machado, que aproveita o evento para comemorar seu aniversário de 53 anos.

Baile black na TV e também no Arpoador

Outra festa dedicada ao balanço da música negra aporta na Zona Sul neste sábado. A ‘Black Power’ traz o DJ LP (foto) no comando da pista com clássicos do gênero para evocar o clima dos antigos bailes soul. E dia 26, estreia ‘Avenida Brasil’, próxima novela das 21h, que também vai jogar luz nos bailes charme do subúrbio.

História

AOS 57 ANOS, Marco Aurélio Ferreira, o DJ Corello, prepara um livro contando sua longa trajetória de vivência nos bailes. “Estou escrevendo, quero lançar este ano ainda. Vou falar da influência da música negra norte-americana no Brasil, contar a história das equipes de som, de nomes como Big Boy e Ademir, e vou falar também das transformações pelas quais passou o rádio”, descreve Corello.

Autoridade no assunto, ele faz um desabafo sobre a mítica em volta do baile no ‘Dutão’ (como é carinhosamente chamado o Viaduto Negrão de Lima). “Madureira não é como o pessoal da Zona Sul pensa. O baile reúne um número satisfatório de pessoas, mas poderia ser o triplo, com caravanas saindo da Zona Sul, só que não tem nem banheiros suficientes, não tem estrutura. Dá para melhorar, mas precisa de grandes empresas que olhem pelo movimento”, sugere.

QUADRA DA ACADÊMICOS DA ROCINHA. Rua Bertha Lutz 80, São Conrado (3205-3318). Amanhã, a partir das 22h. R$ 80 (estudantes e maiores de 65 anos pagam meia). 18 anos.

Créditos: Leandro Souto Maior - Foto: Felipe O'Neill / Agência O Dia


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