“Ricardão” decola funk de São Gonçalo

15:26


A culpa é do Faustão. Afinal, Marcos Emilson de Medeiros estava lá, quieto no aconchego da sua varanda, envolvido com as composições das letras de seu primeiro disco ao lado do Master DJ’s. Ele é daquele que respira funk 24 horas por dia, mas que está sempre atento as várias vertentes musicais. Numa ensolarada tarde de domingo, no município de São Gonçalo, Mr. Mú (esse é o nome artístico dele) se ligou nas engraçadas deduções do intrépido apresentador global, que aconselhava às esposas mal-amadas a “consultarem” o Ricardão, um verdadeiro amante profissional. Estava definido. A Melô do Ricardão entraria no repertório do LP que já estava sendo produzido em estúdio. A música eletrônica tem suas vantagens, considerando certas “facilidades” na hora da elaboração das bases instrumentais.
“A história do Ricardão, por ser um tema atual, que mexe com o público, era um prato cheio para fazer a diversão do povão”.
Mas o Master DJ’s não era só Mr. Mú. Foi preciso reunir os outros dois integrantes do grupo, Marcão DJ e Edil DJ. O encontro foi positivo e todos aceitaram a ideia. Foi quando surgiu a primeira duvida: quem seria o amante profissional? Eis que, de repente, passa pelo corredor Tião Macalé. O resultado, caro leitor, já está mais que batido. A hilariante canção é sucesso nas paradas das rádios mais populares de todo o Brasil. A Melô do Ricardão caminha para o disco de ouro, o que significa 100 mil cópias vendidas. E só pensar que a ideia inicial do gripo era se lançar no mercado fonográfico, Mr. Mú enlouquece,
“Não tínhamos nenhuma experiência e tivemos que fazer algumas reuniões para colocar a cabeça no lugar”, lembra ele.
A vida tranquila de Marcos começa a se transformar. Acostumado a rotina de garotão “normalzinho”, frequentador assíduo de cinemas (Sean Connery é seu ator predileto e os filmes de suspense os mais assistidos) e da praia de Piratininga, onde pega aquele bronzeado, o DJ chegou a se balançar. Quando resolveu trabalhar para “correr atrás do prejuízo”, tinha acabado de concluir o segundo grau. Como funcionário de um famoso laboratório fotográfico “onde muito se trabalhava e pouco se ganhava”, aprendeu a revelar, ampliar e copiar fotos. Mas logo desistiu desse ramo. A sua praia mesmo era a música, que seus pais odiavam. Até hoje estão mais indiferentes, embora nunca tenha assistido a nenhuma apresentação do filho. Não é para menos. Em Porto Alegre, onde o grupo faz um sucesso inexplicável, a repercussão chega ao absurdo. Quando chegaram aquele aeroporto, havia até recepção de fãs. As rádios anunciavam a presença dos três rappers de cinco em cinco minutos.
“Ficamos meio perplexos com tudo aquilo. Nós sentíamos na obrigação de visitar todas as emissoras como forma de retribuir o carinho daquela plateia”, diz Mú, que era Mussum (apelido que ganhou quando era garoto, mas teve que abandonar na carreira artística por causa do Trapalhão, que tem o nome registrado e ganha pelos direitos). 


Vacilou Dançou – Mas nem tudo foi festa com esse estrondoso sucesso. É que a melodia utilizada neste hit radiofônico bebeu na fonte de um antigo e eterno clássico, Sonho de Papel, de Alberto Ribeiro (O balão vai subindo/vai caindo a garoa/o céu é tão lindo/e a noite é tão boa). O filho do autor, Carlos Alberto da Vinha, recorreu à Justiça e conseguiu os direitos pela utilização da melodia da canção. Mas a coqueluche não se abalou, conquistando o próprio Fausto Silva, que elegeu a canção hino do seu programa por algum tempo. Foi mesmo um começo diferente, com o trabalho de mídia sendo realizado primeiramente na televisão. Enquanto isso, nas rádios, “neguinho”, se descabelava querendo descobrir como encontrar o grupo. O Master DJ’s, que já caminha para a gravação de seu segundo disco, adianta o direito de resposta ao João, o marido traído.
“Será uma personagem bastante conhecida ou talvez um comediante”, adianta Mú.
Eles começam a desfrutar das regalias de uma banda famosa. Nos shows, cerca de quatro ou cinco me media, nos finais de semana, aparecem de Furglaine. Considerando a trupe que trabalha nos espetáculos, o carro é até pequeno. Ao todo, três dançarinas e duas bailarinas (de tirar o folego). São elas quem aplicam o teste do Ricardão nos “boyzinhos” da plateia. O humor dá tempero às apresentações do trio, principalmente quando aparecem em cena com sensuais peças intimas, levando a galera ao delírio. E para provar que não é só de brincadeiras que se faz um Mr Mú, ele faz seu próprio perfil:
“Tiro o chapéu para Emílio Santiago e Ivan Lins. Os melhores shows que assisti foram Earth Wind and Fire, Frank Sinatra e James Brown”.
Por aí vai.

Musicas:

A desconhecida

Melô do Ricardão

Créditos: Gilberto de Abreu - O Fluminense/1991

Imagem Google

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