Em meados dos anos 90, há uma pequena reviravolta no mundo Funk. As equipes de som promovem Festivais de Rap's nas favelas onde haviam bailes e lançam em discos as gravações lá realizadas. Assim surgiram os MC's cantando funk nacional, conhecido como RAP. Demos identidade a tudo que era chamado de clássicos, antigo e/ou velho. Hoje, a história dos artistas que legitimaram o Funk como movimento cultural e genuínamente carioca foi qualificada e eternizada por nós como Funk de Raiz.

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MC Leonardo na Megazine, O Globo

23/04/2009 comentários: 3

Na Megazine de hoje você vê parte de um debate polêmico entre um produtor de baile funk (MC Leonardo) e um de raves (DJ Roger Lyra). Eles dizem que os segmentos que representam são discriminados, tanto por uma parte da sociedade como pelos parlamentares autores de uma lei que, na prática, impõe duras condições à realização dos eventos. O assunto rende muito. Tanto que nem coube na revista. Por isso, veja aqui tudo o que os dois disseram. E deixe sua opinião!

O GLOBO: De onde vem a perseguição contra o funk e as festas de música eletrônica?

MC LEONARDO
O funk é negro e pobre. É da favela e, por isso, vai ser sempre discriminado. Trombadinha, pivete e funkeiro são sinônimos na opinião de boa parte do Brasil, e a sociedade criou pretextos pra censurar o funk, como a morte do Tim Lopes e os arrastões dos anos 90. Baile funk também não trasmite Aids, como muita gente já disse. Tudo isso deu moral para quem quer proibir. Os comandantes da PM não autorizam bailes na sua área porque odeiam funk, e a coisa fica por isso mesmo. Mas acho que a sociedade está perdendo uma chance de se comunicar. Uma juventude que sabe onde quer ir, que sabe o que quer ouvir... É um espaço para a política se comunicar.

ROGER LYRA
Se você trocar algumas palavras, muito do que o Leo disse serve pra música eletrônica. A principal diferença é essa coisa da cor e da classe social. A musica eletrônica é elitista, mas isso não impediu ninguém de perseguir essa cultura. Pessoas acham que sou envolvido com drogas porque “mexo com música eletrônica”. Qualquer evento com milhares de jovens vai ter drogas envolvidas e, infelizmente, não se pode controlar tudo. O marco negativo foi em 2007, quando um menor de idade morreu na Happyland após consumir 13 comprimidos de ecstasy. Na época, eu organizava o festival Creamfields, que rolaria 42 dias depois. Viramos a bola da vez, e todo mundo só me perguntava sobre drogas. Procuramos o MP e fizemos uma ação conjunta. Na porta do Creamfields, tinha até Instituto Felix Pacheco, para evitar menores, além de policiais à paisana dentro do evento. Só não contava que fosse aparecer o Ministério do Meio Ambiente, investigando “denúncias de barulho”. Isso no Riocentro, onde acontece todo tipo de evento, e não tem vizinhos. Os funcionários foram agressivos e até ameaçaram prender meu sócio se não baixássemos o som.

Você também enfrenta esse tipo de dificuldades, Léo?

MC LEONARDO
Há um ano a gente promove rodas de funk por toda a cidade, e estamos com uma grande dificuldade porque essa roda tinha que ser na rua, e ninguém libera. Por isso, estamos fazendo dentro das universidades federais, e tem uma na cadeia da 52ª DP também. Vários outros lugares embarreiram o evento. Os bailes funk sumiram da Zona Sul, do asfalto. Hoje, estão quase todos nas favelas. Agora pergunto: o som do samba é mais baixo que o do baile? Não é! Mas baile não pode rolar nas quadras das escolas. Por quê? A associação de moradores de São Conrado não reclama de ensaio de samba na quadra da Rocinha, mas baile não pode. Só que o som da favela hoje é o funk. Não é mais o samba. E digo mais: hoje o funk representa o Brasil no mundo todo. Na Europa se fala de funk como música eletrônica brasileira. Os gringos são apaixonados. Mesmo assim, o ritmo é censurado abertamente na sua terra natal.

Essa lei do Álvaro Lins impõe uma série de exigências aos dois ritmos. Por que ela está errada?

MC LEONARDO
Ordem absurda não se cumpre. Funk não é caso de polícia, é cultura e deveria se entender com os órgãos de cultura. A polícia não pode ter o poder de dizer sim ou não sobre os eventos. A polícia tem que ser informada e disponibilizar o efetivo pra garantir a segurança. Todos os ritmos tem seus excessos. Só que, no caso do funk e da rave, as autoridades preferem combater os ritmos, as festas, em vez de reprimir as drogas e a violência. Existem 300 bailes no Rio no fim de semana, mas isso tá diminuindo. Porque a lei é muito difícil de se obedecer. Num baile cuja entrada custa de R$ 5 e R$ 3, como criar toda a estrutura exigida, com câmeras de segurança para todos os lados? E a lei exige um banheiro para cada 50 pessoas por quê? Ouvir funk dá vontade de fazer cocô?

Leia mais aqui: Fazendo a Megazine


Créditos a revista Megazine do jornal O Globo

"Se você e/ou sua empresa possui os direitos de alguma imagem/reportagem e não quer que ela apareça no Funk de Raiz, por favor entrar em contato. Ela será prontamente removida".
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Central do Brasil

17/04/2009 comentários: 3
Juntos e Mixados

Alessandra e Marielle

Mardonio, Adriana Facina, Adriana Lopes e Ierê

Lu di Paula, DJ Marcelo Negão e Tojão

Público

Dollores, Julinho, Leonardo

Jr. e Leonardo

Público

Público

Público

Público e Imprensa

Marcelo (Padilha) e Neném

DJ Marcelo Negão e Marcelo Yuka

Mano Teko

Marcelo

Marcelo

Jr. e Leonardo

Julinho Santa Cruz

Dollores



Créditos Fotos: DJ Marcelo Negão
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Funk na Central, sucesso total!

12/04/2009 comentários
Bom, primeiramente eu quero dizer que estou muito feliz com a roda de Funk que aconteceu na quinta-feira (09/04), pois todos os objetivos foram alcançados.

Objetivo número 1: Informar a todos que passassem pelo local o que está acontecendo com o movimento Funk em nosso estado, através de som e panfletagem.

Resultado: Mais de mil pessoas fizeram uma roda no meio da rua para poder nos ouvir e quatro mil panfletos se foram em 1 hora.

Objetivo número 2: Adquirir experiência em um espaço menor, com um som não muito potente para poder fazer nos lugares onde planejamos, como por exemplo na Cinelândia.

Resultado: Sabemos que infelizmente não iremos mais poder fazer a roda sem corda, pois ela se fecha com muita rapidez. Sabemos a importância de uma grande faixa informativa que mostra a quem esteja bem longe da gente o que estamos fazendo. Existe muito mais coisa que aprendemos pra próxima roda, mas vou parar por aqui.

Objetivo número 3: Reunir os movimentos que estão apoiando o Movimento Funk é Cultura, para poder mostrar pra eles que a Associação dos Profissionais e Amigos do Funk (APAFUNK) é quem está liderando esse movimento e quem está disposta a ir pra rua defender sua causa - e que precisa de experiência pra isso.

Resultado: Fazia tempo que eu não via tanta gente ligada a tanto movimento diferente em um encontro com a APAFANK, bom eu não vou falar o nome de ninguém aqui por que não sou maluco, pois certamente irei esquecer, mas a instituições acho que consigo. MST, o pessoal dos mandatos dos Deputados Marcelo Freixo (estadual) e Chico Alencar (federal), do mandato do Vereador Eliomar Coelho, Sub-Secretaria de Cultura de Belford Roxo, Fórum de Manguinhos, Revista Vírus Planetário, movimento Direito Pra Quem (DPQ), DCE UERJ, a galera do Observatório da Indústria Cultural, coletivos hip-hop Lutarmada e Visão da Favela Brasil e a Rede da Favela da Maré. Além de professores e intelectuais que foram conferir de perto nossa luta tivemos a honra de receber na nossa roda de Funk o músico Marcelo Yuka, eu falei que não ia dizer o nome de ninguém, mas o nome do Marcelo Yuka pra gente hoje já é uma instituição, mas o pior é que eu tenho certeza que estou esquecendo alguma instituição.

Bom gente por enquanto é só, temos muito mais objetivos, muitos mais resultados, muita coisa pra mudar, melhorar, mas isso vai ficar pra reunião que faremos em breve.

Aguardem as cenas dos próximos capitulos...

Mc Leonardo
(Presidente da APAFUNK)
mcleonardo@carosamigos.com.br

Leonardo Pereira Mota
Escr.: 21 2443-4544
Nextel: 21 7840-9065
ID: 55*24*620


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APAFUNK faz história na Central do Brasil

11/04/2009 comentários

Associação dos Profissionais e Amigos do Funk (APAFUNK), fez nesta quinta-feira, 09 de Abril, um ato político-cultural em defesa a lei Movimento Funk é Cultura. O ato contou com palestras, aparesentações de MC's e DJ's.

Véspera de feriado, a APAFUNK chamou a atenção de todos que passavam por ali. Uma roda imensa foi feita, personalidades e representantes do funk falaram dos problemas sociais, da luta incessante pelos seus direitos e relembraram grandes sucessos. Funkeiros e fãs compareceram ao evento levando incentivo, respeito e apoio à todos artistas presentes. A Central do Brasil parou para ver o funk passar de cabeça erguida!

A manifestação foi uma resposta da categoria a criminalização do Funk. Vale ressaltar, os bailes funk, cada vez mais discriminados pela mídia, foram proibidos pelas autoridades. Os mesmos acreditam que o funk faz apologia ao crime.

Agradecemos à todos participantes, MC's, DJ's, donos de equipes, colaboradores, fãs, funkeiros, mídia, por terem feito deste ato político, mais um momento marcante.

Presenças no evento:

MC's - Jr, Leonardo, Teko, Beto do Batô, Markinho, Dollores, Neném, Xandinho, Lasca, Tuzinho, Marcelo (Padilha), Julinho Santa Cruz, Juninho, Fiel Santa Martha, Lui, William do Borel, Liano, Lu di Paula, entre outros.

DJ's: Nill, Marcelo Negão e J.F.

Equipes: Eduardo (Duda's) e Tojão (Espião Schock de Monstro)

Colaboradores: Rappers Delírio Black (Luta Armada), Bradok e Nego, Direito pra quem? (DPQ), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Adriana Facina, Adriana Lopes, Marcelo Yuka, Mandato Chico Alencar e Marcelo Freixo, pesquisadores, estudantes, entre outros.

Tivemos a cobertura da mídia em geral, como não lembro de todos que estavam presente, não citarei para não ser injusta.

Vídeos no Youtube:

http://www.youtube.com/user/Claudinnha

Em breve colocaremos as fotos!
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Roda de Funk e Debate UERJ

10/04/2009 comentários
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9/4, 17h - Roda de Funk na Central

08/04/2009 comentários: 2

Galera,

A Associação de Profissionais e Amigos do Funk - APAFunk está organizando o lançamento da

CAMPANHA FUNK É CULTURA - contra o preconceito e a criminalização!

Amanha, dia 9/4, quinta-feira, às 17 na Central do Brasil

Trata-se de uma luta contra a criminalização do Funk, que vem ocorrendo junto com a criminalização dos pobres. Para quem não sabe, os bailes funk estão sendo proibidos pelas autoridades e discriminados pela mídia. Argumentam que o funk faz apologia ao crime e que só fala de putaria. Mentira! Muitos funks são feitos falando da realidade da favela e das periferias. Não se pode generalizar, pois, se formos parar para pensar, apologia e putaria podem ser feitos sob qualquer ritmo.

Muitos MC's e DJ's não têm conseguido trabalhar. Além disso, o funk hoje representa a forma mais popular de diversão e lazer da maioria dos jovens cariocas. Proibir os bailes funk significa agredir direitos básicos do povo do Rio.

Por isso, os funkeiros vão mandar uma mensagem para a população: Funk é Cultura! A roda de funk é a reunião de funkeiros para dizerem o que pensam através de sua produção musical. Assim, nada melhor do que uma Roda para protestar contra o preconceito que sofrem!

Com a presença dos MC's da antiga, a nova geração do funk consciente e parceiros, como Marcelo Yuca, a roda na Central vai bombar!

Mais informações em: http://www.apafunk.blogspot.com/

Um Abraço, vejo todos e todas lá!

Tâmo junto e misturado!
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APAFUNK: Próximos Passos

04/04/2009 comentários

Olá galera,

Terça-feira (31/03), que foi o dia em que abrimos a APAFUNK, também recebemos a informação de que podemos dá o ponta-pé inicial pro ato político que iremos fazer na Central do Brasil no dia 9 de abril, quinta, às 17 horas.

A informação foi dada através da galera do mandato do Deputado Federal Chico Alencar, já que foram eles que articularam pra que as informações sobre o ato chegassem até a prefeitura.

Será uma roda de Funk na Central do Brasil, com panfletagem de um informativo sobre o que está acontecendo com o Funk em nosso estado e mostrando a força do MOVIMENTO FUNK É CULTURA.

Na quarta-feira, 01/04, eu, Caio Amorim (Revista Vírus Planetário) e Dr. Orlando Zacone (Carceragem Cidadã) fomos à casa do nosso amigo do Funk Marcelo Yuka, que se mostrou totalmente engajado em nossa luta. Falamos sobre a operacionalidade do ato, trabalhamos na criação do logomarca do movimento e falamos sobre as confecções das camisas.

Sexta-feira, dia 3/04, tivemos um encontro eu, o Mano Teko (Vice Presidente da APAFUNK), Tojão (da Equipe Espião), Eduardo (da Equipe Dudas), DJ Marcelo Negão (membro da diretoria da APAFUNK) e Guilherme Pimentel (do mandato do Deputado Marcelo Freixo), na secretaria de Segurança Pública, com o Coordenador do Programa "NOITE LEGAL", Delegado Civil Dr. Marco Aurélio Castro, que nos recebeu muito bem em sua sala, e pra minha surpresa se coloca totalmente contrário a ter que cumprir uma lei que discrimina qualquer tipo de ritmo.

Falamos pra ele da luta que estamos enfrentando pra tal lei ser revogada.

O projeto de lei que revoga a tal lei do Álvaro Lins é de autoria do (agora Presidente da Comissão dos Direitos Humanos) Deputado Marcelo Freixo e do (líder do Governo) Deputado Paulo Melo – está pra ser votado na Comissão de Constituição e Justiça, o chamado CCJ.

Falamos também sobre outro projeto de lei que já até passou pela CCJ, que reconhece o Funk como movimento cultural em caráter popular e que é também de autoria do Deputado Marcelo Freixo e que o Deputado Wagner Montes assina junto.

Ela agora está na comissão de Cultura cuja presidência é do Deputado Alessandro Molon.

O Delegado nos cobrou um projeto onde a secretaria de Segurança Pública pudesse ser parceira nossa, e saí de lá com a absoluta certeza que irei voltar ali com todas as idéias que temos em mente posta no papel.

Na saída recebi um talefonema que se tratava de um convite de ir lá na TVALERJ pra falar dos 2 projetos de lei que estão na casa pra serem votados e fazer uma roda de Funk lá.

A gravação será na próxima terça-feira, 07/04, no terceiro andar da ALERJ, às 18 horas.
Fui ao gabinete do Deputado Alessandro Molon para ter mais informação sobre o projeto de lei que está lá pra ser votado e sobre o qual iremos ser perguntados no dia da gravação.

Fui atendido por uma assessora dele, por sinal muito simpática, que me prometeu falar com ele sobre o caso e que fará com que ele nos receba antes da tal gravação.
Podemos ir ao que interessa agora, que é dia local e hora do que temos pela frente.

Dia 7/4, às 17 horas, todos os MCs e DJ (que já estão engajados), estão convidados a comparecer à TV ALERJ, que é na própria ALERJ, para se apresentarem na roda de Funk que faremos lá, (sei que o tempo de TV é muito curto, o espaço do estúdio é muito pequeno pra todos cantarem, mas é importante mostrarmos que somos muitos.

Dia 9, às17 horas (mas quem puder chegar às 16 pra fortalecer o clima, a gente agradece), pela primeira vez a APAFUNK irá pra rua fazer uma roda de Funk em um movimento político em defesa do Funk e será em frente ao prédio da Central (ato histórico), todos estão convidados: profissionais, artistas, amigos do Funk, imprensa, movimentos sociais e quem mais quiser.

Dia 14, às 18 horas, debate sobre o Funk pra calourada da UERJ (Mc Leonardo e Adriana Facina). Todos estão convidados.

Dia 15, às 17 horas, também na UERJ faremos uma Roda de Funk pra arrecadação de verba pra APAFUNK, já que o não contamos com caixa nenhum e precisamos de dinheiro pra tudo isso que estamos fazendo.

Dia 18, às 16 horas, faremos a grande reunião da APAFUNK para que possamos fazer um balanço geral de tudo que estamos fazendo.

Será na Barra da Tijuca, no Itanhangá, e o endereço será passado pra geral futuramente, mas vai marcando aí na folhinha de vocês pois será de muita importância o comparecimento em massa de todos lá!

Boa galera, por enquanto é só, aguardem mais informação.

MC Leonardo
(Cantor/Compositor e presidente da APAFUNK)

--
Leonardo Pereira Mota
leonardoeocara@ig.com.br
Escr.: 21 2443-4544
Nextel: 21 7840-9065
ID: 55*24*620
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Um delegado que não crê no formato do atual sistema carcerário

01/04/2009 comentários
Opinião - Um delegado que não crê no formato do atual sistema carcerário



O titular da 52ª Delegacia de Polícia do Rio de Janeiro, Orlando Zaccone, mantém sob controle uma situação potencialmente explosiva com duas armas: a cultura e a educação. Ele é o idealizador do bem-sucedido Projeto Carceragem Cidadã, que conta com inúmeros parceiros e apoiadores. Autor do livro "Acionistas do nada", Zaccone é um estudioso do fenômeno da criminalidade com mente aberta e idéias progressistas. Ele é, por exemplo, a favor da flexibilização regulamentada do comércio de drogas. Sua principal conclusão é de que o sistema só pune os naturalmente desfavorecidos
"Quanto mais as pessoas forem estigmatizadas, mais difícil fica. Elas acabam acreditando que o único caminho delas é a criminalidade. O sistema acaba reforçando o que deveria combater"

O que é o projeto Carceragem Cidadã?
Eu assumi a Delegacia de Nova Iguaçu (RJ) em 2007 e encontrei o "quadro normal" das carceragens de delegacias: verdadeiros depósitos de pessoas. A Polícia Civil não tem em seus quadros pessoal qualificado para dar aos presos o que lhes é garantido por lei, como assistência médica e educacional. Dentro dessa realidade, me vi obrigado a procurar apoio na sociedade para efetivamente cumprir a lei. Primeiro, começamos com a assistência cultural, com a ajuda do músico Marcelo Yuka. Montamos um cineclube e foi aí que começamos a ter contato com os presos – porque assistíamos aos filmes juntos. Na sequência, consegui apoio da prefeitura de Nova Iguaçu e montamos uma escola na carceragem. O diferencial é que os presos estão matriculados na rede pública de ensino. Nós estamos trazendo o poder público para dentro daquele espaço.


Qual é o principal objetivo do projeto?
O primeiro objetivo é fazer com que a Lei de Execução Penal seja cumprida e resgatar a condição humana do preso. Nós também conseguimos fazer um projeto junto à Secretaria Municipal de Saúde. E conseguimos montar uma biblioteca. O interessante é que, com esse trabalho, os presos reivindicaram direito a voto nas eleições passadas. Nós fomos a única carceragem do Estado Rio de Janeiro a garantir o direito de voto ao preso. Os presos provisórios não são impedidos de votar. Nós criamos um espírito na Carceragem Cidadã que faz o preso ser ouvido. Acho que é o primeiro passo para ele resgatar a linguagem. Nesses projetos, também trazemos a ideia de redução de danos.

É um projeto de ressocialização?
Hoje não se fala mais em ressocialização, porque muitas vezes o preso chega na carceragem sem ter passado por um processo efetivo de socialização. São pessoas que, pela vulnerabilidade, já foram alvo do sistema penal. O sistema acaba escolhendo como alvo os criminosos mais toscos, que praticam os crimes menos sofisticados, para serem objeto da ação do sistema. O cárcere está cheio de pobre não é porque ele tem mais tendência a delinquir, mas por que tem mais tendência a ser criminalizado.

O projeto já deu frutos?
Ainda não há monitoramento desses resultados. Mas temos algumas notícias que nos são recompensadoras. No dia das eleições, muitos que tinham tirado o título eleitoral na carceragem já não estavam mais presos. E tivemos um número significativo de ex-presos que voltaram à carceragem para votar. Isso significa para nós que eles têm aquele espaço como um lugar de cidadania. Importante também não é apenas o trabalho que estamos fazendo com os presos, mas com a sociedade. Quem vai visitar a carceragem sai de lá com outra impressão. A maioria das pessoas que chega numa carceragem, num presídio, olha para os presos como se fossem bichos. Quando conseguirmos estabelecer uma comunicação entre esses presos e a sociedade, mais chances teremos. Quanto mais as pessoas forem estigmatizadas, mais difícil fica. Elas acabam acreditando que o único caminho delas é a criminalidade. O sistema acaba reforçando o que deveria combater.


A maioria dos presos pertence ao Terceiro Comando ou ao Comando Vermelho. Mas desde que o senhor assumiu, não foram registradas rebeliões nem confrontos entre as facções.
Exatamente. Essa carceragem tinha um histórico de rebeliões e muita violência institucional. Ali já houve policiais condenados por tortura e até por abuso sexual contra os presos e nós conseguimos reverter esse quadro.


Muitos artistas e organizações colaboram com o projeto. Como é possível agregar tantas pessoas em torno de uma causa que muitos consideram perdida?
Eu já não acredito que a maioria das pessoas achem essa causa perdida. As pessoas que têm contato com a carceragem acabam me agradecendo e se colocando à disposição para ajudar. Estamos, por exemplo, com um trabalho com a Associação dos Profissionais e Amigos do Funk (ApaFunk). Eles acreditam que, dentro do seu espaço de atuação, podem contribuir com uma mensagem de conforto ou de esperança. Nós descobrimos que muitos detentos são MCs. O preso passa a se ocupar com o lado criativo. Nós temos uma pulsão de vida e uma pulsão de morte. Se o ambiente for incentivado numa pulsão de morte – nem precisa ser uma carceragem –, qualquer escritório vira um inferno. Estamos trabalhando com a pulsão de vida, para que eles se sintam dignos de retornar à sociedade.

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