Se liga sangue bom, no nosso funk é sempre assim:

07/09/2009 | comentários: 0

No último dia 1º de Setembro APAFUNK conseguiu colocar o Funk no lugar merecido. Depois de 1 ano de luta, reuniões, Rodas, palestras e toda militancia, o Funk foi em fim considerado Movimento Cultural, além disso, conseguimos derrubar a Lei 5265/08, de autoria do ex-chefe de Polícia Civil e deputado cassado Álvaro Lins (denunciado à Justiça pelos crimes de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, facilitação de contrabando e corrupção passiva) que impedia a realização dos bailes no Rio de Janeiro, marginalizando ainda mais o movimento.

O momento é de alegria e satisfação, o funk é a grande estrela desta conquista mas não posso esconder meus descontentamentos. Quando o assunto é Funk, na maioria das vezes as informações são distorcidas, deturpadas ou pela metade, sempre foi assim. Li e vi matérias tendenciosas e mentirosas. Banalizaram os reais propósitos da lei e seus criadores. Lamentável ver muita gente “gozando com nosso pau”.

O funk sempre foi criminalizado, discriminado e marginalizado pela mídia, isso nunca dependeu de sua época ou letra. Na época do Miami Bass e Freestyle, onde importávamos o funk americano, éramos escrachados pela pornografia de suas letras. Essa época era a verdadeira? Para muitos sim, mas não deixa de ser erótica como nos tempos atuais, a unica diferença é a falta de entendimento por muitos, já que suas letras eram em inglês. Criamos nosso próprio funk com os concursos de raps, e a mídia só falava das brigas, então esse não-reconhecimento não depende de época.

Como funkeira e amante do Funk de Raiz, não estou nesta luta pelo meu gosto ou por uma determinada época, mas porque amo o funk. O funk que toca aqui não está na mídia, mas gostaria de poder ligar o rádio e ouvir musicas inteligentes, informativas e menos apelativas.

A votação não só preserva suas raizes, como garante o presente melhor e um futuro mais consciente.

Mesmo diante destes percalços, o foco continua sendo o funk. A associação não quer ser pai, mãe, dona, madrinha ou mais uma usurpadora dos seus direitos. O maior objetivo é ver o funk forte em suas bases, levando informação, cultura, lazer e respeito. A luta não é por interesses pessoais, não verão atitudes ou palavras que não condizem com a sua realidade. Procurem conhecer a APAFUNK, acompanhem o seu trabalho e critiquem com conhecimento de causa, do contrário é preconceito.

Dedicar essa vitória a APAFUNK seria redundância. Quero dedicar à todos aqueles que não acreditaram em nossa força ou duvidaram da nossa integridade, propagando falsos boatos. Aqueles que vinham até a mim e diziam:

“Você é maluca criar um site, se dedicar para falar desses MC’s falidos. Seu site não chegará à lugar algum”.

“Esse é um movimento de MC’s falidos que estão desesperados atrás de um sucesso que ficou para trás.”

“APAFUNK, assim como outras associações não vai à lugar algum. É uma associação feita para beneficiar esse ou aquele apenas”.

“APAFUNK foi criada para tirar dinheiro desse e daquele empresário.”

"Não vou participar, porque o movimento é apenas do Presidente, só ele aparece"

"Só vou participar quando der certo"

Esses foram “apenas” alguns dos absurdos ditos a mim.

AGRADEÇO À TODOS QUE NÃO ACREDITARAM, DUVIDARAM, APEDREJARAM, CRITICARAM E AOS CEGOS DE MENTE E ALMA. A CADA RESPOSTA NEGATIVA, CADA FRASE MAL COMPREENDIDA, CADA BOATO MALDOSO, SERVIU COMO COMBUSTÍVEL PARA PERCORRER TODO O CAMINHO SEM MORRER NO MEIO DA ESTRADA.

É APENAS O COMEÇO, MAS É GOSTOSO DEMAIS O SABOR DA VITÓRIA!

Finalizo com um trecho do Rap da Favela - MC's Renato e Naldinho (Cidade de Deus):

"... aqui a gente sempre luta por melhor, mas a sociedade leva a gente pra pior...
Ainda digo, que nos morros e nas favelas só moram pobres, mas só mora sangue-bom..."


Funkeiro de verdade não é aquele que está à favor dessa ou daquela época, mas sim lutando por um funk melhor.

Aqueles que não gostam e discriminam, nunca fiz nada pensando em vocês, não costumo me preocupar, não tento mudar opiniões diferentes e não imponho as minhas à ninguém. Só não abro mão do meu respeito.

Até a próxima!


Crédito Texto: Claudia Duarcha

"É possível MUDAR o impossível, quando o coletivo está acima do individual".