JORNAL POVO - Título da Matéria: BATIDÃO DO MORRO TIRA SONO DO ASFALTO.
Legenda: Vizinhos de Comunidades carentes sofrem com barulhos de bailes funk e policia não pode fazer nada.
Caros Felipe e Natália, não moro no asfalto, moro na favela, no Complexo da Favela de Acari, no Conjunto Habitacional Amarelinho de Irajá, comunidade onde, o seu colega de jornal, MC Alex, graças ao Funk, mantém um projeto sociocultural que atende cerca 800 crianças e jovens.
Posso garantir a vocês, aos seus leitores do asfalto, que não são só eles que sofrem com os bailes Funk. Nós que moramos na favela também sofremos. Mas não é só com o Funk, com os ensaios de escola de samba, com igrejas evangélicas que, muitas vezes fazem cultos e vigílias até de madrugada.
Sou poeta e animador cultural, trabalho há cerca de 35 anos com todas as manifestações culturais populares que acontecem nas periferias das grandes cidades como Rio.
Vou deixar pra depois do encontro no circo, ao Coronel Marcus Jardim, uma resposta à altura do que ele merece, por enquanto, com relação a ele, me limito a dizer que, gavião que tem rabo de palha não joga busca pé em papagaio.
Com relação ao conteúdo da matéria; Posso garantir a vocês que, os artistas do funk, como qualquer artista, são solidários a vocês, e precisam também a solidariedade de vocês para resolver problemas como este.
Primeiro uma explicação, que vale para Acari, mas pode valer para boa parte, das favelas onde são promovidos bailes funk. Existe uma crença que o trafico de drogas de cada local desses 'fatura' muito mais do que em dias em que não há baile. Com relação a Acari, depois de uma pesquisa informal, descobri que o alimento da venda de drogas, não passa de 15 por cento. Por outro lado, já trabalhei em bar de baile funk, tanto dentro do baile, como em bares e barracas ambulantes da redondeza: A venda de bebidas, alcoólicas e refrigerantes mais que triplica. Pergunta se os fabricantes de bebidas e distribuidores emitem nota fiscal?
Nós, que diretamente ou indiretamente somos ligados ao funk, ao longo dos anos, estamos vendo empresários e promotores da funk enriquecerem comprarem suas mansões e aviões, roubarem descarada e impunemente, os artistas, como outros já o fizeram com o samba, com o blackrio, com a música gospel, inclusive funkgospel e com o futebol.
Partindo do futebol. Tenho alguns amigos jogadores profissionais e eles reclamam muito das condições de gramado, de vestiário, de segurança, dos estádios onde vão jogar. Alguns grandes e belos estádios aliás. Mas que não oferecem nenhuma condição das instalações para que eles, como profissionais de futebol, exerçam sua profissão de maneira digna e respeitosa.
Com os artistas do funk, não é muito diferente. Aliás e igual e tão ruim como é para qualquer artista, seja de funk, hip hop, samba, gospel, que vá se apresentar na maioria das casas de show, clubes, etc. A maioria não tem camarins, banheiros ruins, aparelhagem de som ruim. O fato do som ser muito alto e incomodar os vizinhos, tanto de dentro quanto de fora do lugar, não quer dizer que o som seja bom, mas apenas barulhento.
Que, muitas vezes incomoda, não só quem tá dentro do baile, como os próprios artistas que gostariam muito que suas músicas e suas mensagens fossem ouvidas nítida e claramente.
Com relação ao barulho. Toda a grana que sobra como lucro, de bailes, festas, etc. em apenas um clube, escola de samba ou associação comunitárias dessas, em apenas dois fins de semana daria muito bem pra promover reformas nas instalações, isolamento acústico, reforma em banheiros, construção de camarins, etc.
Com relação as leis que normalizam a questão do ruído, o embora a matéria, não site a de onde é a Lei nº. 126, de maio de 1977, na minha opinião, das leis citadas, é a única que tem validade real e constitucional. O resto é casuísmo, oportunismo eleitoral, autoritarismo pós ditadura militar racismo, a cirminalização da pobreza e da juventude pobre das favelas e das periferias, tanto do governo Cabral, quanto do prefeito. Criminalização esta que não é de agora, a gente não pode esquecer que, quando a policia quebrava pandeiros, violões, cavacos, etc. de Pixinguinha, cartola, João da baiana, sinhô, Ismael silva, Carlos cachaça, eles eram jovens negros pobres e favelados, e por causa disso tudo criminalisados, discriminados e perseguidos, em suas vidas diárias em suas culturas populares oprimidas pulares afrodescedentes. O Antony garotinho, Sergio Cabral, bel trames, César Maia, e Marcus Jardim de hoje, são os agentes da primeira republica, do dip da ditadura Getulina e da ditadura militar dos anos 60,70 e 80.
Como qualquer manifestação cultural, dita popular ou erudita, o funk, os problemas do funk é um problema de cultura e não de policia. As soluções para seus problemas devem ser buscadas, na cultura e não na policia. Por mais culto, que seja um delegado, secretários de segurança pública ou coronel PM, suas atribuições são as de fazer cumprir as leis em vigor, de uma maneira geral, e no caso, com relação as manifestações culturais. Não cabe eles, usurpar do poder legislativo e executivo, e criar e por em vigor leis sobre qualquer matéria. Nem o poder executivo, na figura de seu governador, prefeito ou presidente da república, delegar, ao seu secretário de segurança pública, de saúde ou de agricultura administrar a cultura de seu estado, seu município seu pais.Como o fizeram os primeiros presidentes da 1ª republica, o ditador Getulio Vargas, os ditadores militares dos anos 60,70 80. e os governadores garotinho e Sergio Cabral.
Deve dar essa atribuição e os secretários de cultura, do meio ambiente que cuida da poluição sonora e de administração para cuidar da papelada com alvarás, documentos das regiões administrativas. Delegacia? Batalhão? Vem depois, muito depois e não para mandar, impor, reprimir, mas auxiliar cumprir as leis e não criá-las.
Ou alguém acha que o projeto lei sobre funk, de autoria do deputado Marcelo Freixo, do PSOL e do deputado Wagner Montes vão ser apreciados, discutidos, debatidos pelos funkeiros, por eles enquanto legisladores, como secretário bel trame ou com o coronel Marcus Jardim?
Com certeza que não. O papo reto, direto será com o governador, com seus secretários da áreas que citei acima.
Tanto o governador, quanto, seus secretários, jornalistas como os do Povo, todas as pessoas, que como eu se sentem incomodadas com o barulho do dos bailes funk, seja no asfalto, seja nas favelas, podem ter certeza de uma coisa. Quem menos vem ganhando, e muito sendo roubado, discriminando e mais reprimido, nisso tudo são os artistas do funk.
E os que mais tem cumprido seus deveres profissionais enquanto artistas, embora tenham mais seus direitos desrespeitados e violados. Não só pelo pode executivo e pela policia, mas sobretudo, pelos grandes empresários/tubarões do funk.
Sem todas as leis, que regem a cultura e as diversões públicas neste estado e nesta cidade, fossem cumpridas e respeitadas por todos, inclusive e principalmente, coisas como direitos autorais e semelhantes. Com o certeza, MC ALEX, um dos pioneiros e mais talentosos artistas do funk, bravo colunista do jornal O Povo, não estaria fazendo das tripas coração pra manter vivo o Centro Social Futuro Feliz, que conta com meia dúzia de instrutores voluntários e quase mil crianças e adolescentes, em projetos que vão do futevôlei, ao inglês, as aulas de capoeira, Jiu Jtsu e teoria musical.
É isso.
Autor: Deley de Acari
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