Nos esculacham por PUTARIA ou nos MATAM por rebeldia!

17/12/2008 | comentários: 5


Fazem 8 anos que o MC Betinho, da Força do Rap, foi assassinado por um pm do 09ª BPM, sentado no sofa da casa de uma moradora de Acari.

Só que a morte de MC Betinho, começou a ser tramada, quase tres anos antes daquele dia trágico: 17 de Dezembro de 2001.

Começou, na campanha eleitoral, pro governo do estado de 1997. Houve um comício, no Conjunto Amarelinho, em cima de um enorme trio elétrico, um showmicio animado por Rosinha Garotinho.

A Força do Rap, foi convidada pra prestigiar e subiram pra cantar, só que ao em vez de cantar, um dos integrantes, MC Alex, pegou o microfone e começou a protestar contra as constantes execuções de moradores pela pm, e conclamou a comunidade não votar em ninguém. O microfone foi desligado, e a Força do Rap, foi convidada e descer do carro.

Um anos antes, em 1996 a Força do Rap, já havia participado ativamente dos protestos contra o assassinato do Pequeno Maicon, filho do Zé Luis e da Penha. Apareceram varias vezes, e telejornais, gravaram um documentário pra um tv alemã...

O protesto, na campanha eleitoral, foi a gota d'água:

Tão logo foi eleito, Garotinho, publicou o decreto, pondo o funk na "criminalidade'!

Os bailes funk nas comunidades faveladas passaram a ser "Caso de Policia" e não mais "cultural".

Cabia aos comandantes de BPMs, dar ,ou não, seu Nada a Opor, para realização de bailes, na área sob seu comando no Complexo de Acari, área do 9º BPM, ficou sem ter bailes, "autorizados" por quase dois, anos, só liberados por corrupção.

Quanto a Força do Rap, o governo do estado, e o comando do 9º BPM, seguiu a "boa" filosofia de Fernando Pessoa: Vingança é um prato que deve ser servido frio.

Foi assim que, numa blitz, MC Betinho foi executado. Betinho, embora, tivesse medo de armas e de violência, talvez fosse, para o estado, o mais perigoso, dos integrantes da Força do Rap, é o letristas do raps mais críticos, criativos e "combatentes" do Grupo. Na mesma blitz, MC Alex, também quase foi executado, durante um bom tempo, os pms, tentaram "achar" os outros integrantes.

Depois de, tres anos, em 2004, o "Estado" através de sua força policial, conseguiu, mais um "pontinho" em seu projeto de vingança contra a Força do Rap: Forjaram um flagrante de porte ilegal de arma, e botaram atrás das grades, por 8 meses, o MC Alex.

Hoje, o Movimento Funk É Cultura tá trazendo de volta, a importância do chamado Funk Consciente. E nesta volta, não só lembra, mas tras pros dias de hoje, essas criativas sementes artísticas populares de protesto e revolta. Desde Junior e Leonardo, na Rocinha á Força do Rap, no Complexo de Acari. Essas sementes que se julgava inferteis, estereis, voltam a se revitalizar e fertilizar á luz do mesmo sol, que banha e nutre, centenas, senão milhares de jovens funkeiros, muitos ainda crianças, que normalmente são esculachados, tanto pelas "autoridades", quanto pelo especialistas, favelologos... quanto pela gente mesmos, dilensiosos, rigorosos e moralistas "sabichões" do Movimento Funk é Cultura.

"Escaldados" e preocupados com nossas criticas e inspirados pelo funk conscientes dos mcs da antiga, que não conheciam, esses meninos estão fazendo versões light de suas "putarias" e compor funks de protesto, "conscientes" para cantar e agradar o publico novo e exigente que estão conquistando nas universidades, no atos de protesto, dos festivais, nas rodas de funk, pra produzirem dvds ao gosto ma juventude de esquerda, das pessoas conscientes e polizadas.

Isso é muito bom, aplaudamos,todos nós, arautos do Movimento Funk é Cultura.
Vamos botar "pilha" e dar a maior "moral" pra essa menorzada fazer funk consciente,
mas não nos esqueçamos nunca da Força do Rep, por só só inesquecível, mas pelo que aconteceu ao Grupo, a alguns de seus integrantes, como MC Betinho e MC Alex.

É tão fácil "criminalizar" a arte em "consciente" dos cartuns do genial e generoso Latuff, quanto a arte de um rap consciente de um jovem funkeiro favelado.
É tão difícil botar o Latuff na cadeia, por fazer cartuns conscientes, quanto um jovem funkeiro por seu rap consciente. Mas com certeza, é muito mais fácil, plantar um flagrante num jovem funkeiro favelado, po-lo na cadeia, ou executa-lo como bandido, que fazer o mesmo com o Latuff... a não ser é claro, se o Latuff, brotar sempre na favela.

Estou lendo um belo livro, Criminalização dos Protestos e Movimentos Sociais, organizado por Kathin Buhl e Claudia Korol, e editado pelo Instituto Rosa Luxemburg e Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, de Sampa. São vários artigos, e testemunhos sobre, o tema que esta no título.

Curioso que já lí o livro quase todo, e não encontrei uma referencia sequer, sobre a criminalização da arte e da cultura de protesto. Como se também não fossemos "movimento" social, como se Violeta Parra, Victor Jara, João do Vale, Zé Keti, Chico Buarque, Geraldo Vandré, Gonzaguinha, Pablo Neruda, Garcia Marques e, porque não: Junior & Leonardo, Força do Rap, Willian e Duda, Julinho Rasta&Katia, não fossem movimento social de protesto a partir de suas artes. Vou continuar lendo livro, talvez esteja sendo injusto... desculpem!

Mas voltando, tudo bem que cobremos e exijamos dos meninos funkeiros de hoje: parem de fazer putaria, e façam funk consciente, mas lembremos que, há um governo Civil-Policial Militar Neofacista em vigor no Estado do Rio. Preconceituoso, racista e genocida.

Ele não ciminalisa só os protestos e os movimentos sociais, criminalisa também a arte e a cultura, principalmente vindo dos "lugares" mais pobres e miseráveis, como as favelas e a periferia.

Essa menorzada vai "danar" a fazer funk consciente, criticando o estado, a violência, a policia, a corrupção... vão vender cds, que nem banana na feira, mas vão precisar da gente do Movimento Funk É Cultura, da Apafunk, dos Movimentos Sociais, dessa Esquerda, brilhante, inteligente, maralista e rigorosa que somos nós. Talvez até de nossos juristas e advogados e defesa e de direitos humanos. Talvez ate, de uma mão amiga, pra pegar na alça do caixão de um ou outro.

Eles vão fazer sucesso nos nossos atos de protesto, atos-shows, seminários, encontros, Tribunais Populares, agradar a nossa mídia alternativa e engajada, mas depois vão voltar pra favela, botar a cara para bater, ou mesmo ser "barulhada". Só que na favela, embora, haja muitos becos e vielas, na tem como esconder a cara, e qualquer cara, até se prove ao contrario depois, e cara de bandido.

E o seguinte, não tem nem como evitar, impedir, proibir que, dizer que ó, continuem fazendo putaria, melhor se esculachado, que ser morto, porque, nas más companhias do funkeiros da antiga como já estão, e pelo talento e criatividade que muitos deles tem demonstrando, mas sendo ou mais tarde seus talentos e a apurada sensibilidade com que falam das coisas da favelas, é inevitável, que daqui a pouco, alguns já estão até fazendo, que façam raps de protesto, conscientes, que vai atrair nossa atenção, no gosto, e nos fazer felizes, mas também chamará a atenção dos "alvos" de sua criticas: Som, palavras, são navalhas, e eu não posso cantar como convem, sem querer ferir ninguem", Belquior.

E como diz o velho ditado: Quem pariu Matheus, que o embale!

Se não somos mãe de Matheus, somos seus avós, tíos, tías, primos, irmãos, irmãos mais velhos, se não de sangue, mas sim de luta, e por isso, há que também embalarmos Matheus... de preferencia quanto mais longe das balas quanto possível. Não podemos esquecer nunca, que os governantes quando "montam" seus Estados Civil-Policial-Militares Neo-fascistas, já aprenderam que:

"Vingança é um prato que deve ser servido frio".

Deley de Acari,

Poeta e Animador Cultural.